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China estaria esterilizando muçulmanas uigures

Organizações de direitos humanos acusam a China de maus-tratos a minorias étnicas mulçumanas em centros de detenção

China estaria esterilizando muçulmanas uigures
O governo chinês, porém, nega as acusações de maus-tratos (Foto: Public Domain Pictures)

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Antigas detentas da etnia muçulmana uigur relataram a grupos de defesa de direitos humanos e à mídia os maus-tratos e o tratamento de esterilização a que foram submetidas nos campos de detenção na província de Xinjiang, na China.

“Os guardas pediam que estendêssemos os braços por uma pequena abertura na porta e nos davam injeções. Depois de uma série de injeções nosso ciclo menstrual se interrompeu”, disse Gulbahar Jalilova ao canal de televisão France 24.

Jalilova, que ficou detida mais de um ano em um dos “campos de reeducação” do governo chinês, dividia uma cela de três metros por seis metros com 50 mulheres. “Éramos apenas um pedaço de carne”, comentou. 

Segundo uma reportagem do Nikkei Asian Review, durante uma videoconferência em um evento da Anistia Internacional em Tóquio, Mehrigul Tursun, uma mulher uigur de 30 anos, fez um relato semelhante de sua experiência em um campo de detenção em Xinjiang, em 2017.

Tursun, que hoje vive nos EUA, contou que lhe davam remédios e lhe aplicavam injeções. “Comecei a sentir-me cansada, deprimida e perdi a memória”, relatou. Quatro meses depois de ter sido diagnosticada como doente mental, as autoridades do campo a soltaram. 

“Durante o tratamento médico nos EUA soube que havia me tornado estéril por causa dos medicamentos e injeções”, acrescentou Tursun.

De acordo com a Organização das Nações Unidas e ativistas de direitos humanos, as autoridades chinesas mantêm um milhão de uigures, cazaques e outras minorias étnicas em campos de detenção.

Segundo ativistas, a construção dos campos de detenção faz parte de uma ampla campanha de reeducação social e genocídio cultural de minorias étnicas mulçumanas.

Apesar dos relatos de antigos detentos sobre torturas, espancamentos e eletrochoques, além de terem sido obrigados a comer carne de porco, a assistir aulas de reeducação política e a cantar músicas patrióticas, o governo chinês nega as acusações de maus-tratos.

As autoridades descrevem os campos como “internatos” onde as pessoas recebem treinamento vocacional para terem melhores oportunidades de emprego e atribuem as acusações a “notícias falsas”.

A China ignorou os protestos de repúdio ao tratamento desumano dado a grupos minoritários e continua a construir campos de detenção em lugares distantes do país.  

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Fontes:
Independent-Muslim women ‘sterilised’ in China detention camps, say former detainees

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