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China ignora os 50 anos da Revolução Cultural

Pequim impede qualquer menção ao caos desencadeado pela guerra de Mao contra a 'ditadura da burguesia'

China ignora os 50 anos da Revolução Cultural
A grande Revolução Cultural do Presidente Mao Tsé-Tung foi um período de dez anos de turbulência política e social (Foto: Pixabay)

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No 50º aniversário da Revolução Cultural Chinesa, um dos eventos mais devastadores e definidores da China do século XX, o país preferiu ficar no silêncio. A grande Revolução Cultural do Presidente Mao Tsé-Tung foi um período de dez anos de turbulência política e social. O que se seguiu foi um período sem precedentes de agitação, derramamento de sangue e estagnação econômica que só terminou com a morte de Mao, em setembro de 1976. No entanto, nesta segunda-feira, 16, os jornais da China continental não falaram nada sobre o aniversário da Revolução Cultural.

O tabloide Global Times do partido ignorou completamente o evento. Comparações entre Donald Trump e Boris Johnson da União Europeia com Hitler estavam nas páginas do Beijing Morning Post, mas não havia uma única menção a Mao ou a sua mobilização em massa. No Beijing Times também houve silêncio sobre a Revolução.

Não houve eventos oficiais e os acadêmicos são proibidos de falar sobre o período.”Os pesquisadores não podem aceitar qualquer entrevista relacionada com a Revolução Cultural,” um estudioso disse ao jornal canadense The Globe and Mail.

“Eles pensam que se expormos o lado obscuro da Revolução Cultural, duvidarão do sistema político”, disse Wang Youqin, autor de Vítimas da Revolução Cultural, uma investigação de três décadas sobre as mortes da Guarda Vermelha.

Apenas Hong Kong, que faz parte da China, mas que goza de liberdades políticas muito maiores graças a um acordo que rege seu retorno ao controle chinês em 1997, foi capaz de falar sobre o aniversário na mídia.

Roderick MacFarquhar, um especialista da Revolução Cultural na Universidade de Harvard, diz que o grande problema é que a Revolução disparou uma arma inicial, no qual os chineses tornaram-se imensamente cruéis uns com os outros. “Não foi como se um chefe nazista tivesse dito, ‘Mate esses 6.000 judeus’. As pessoas só lutaram entre si, mataram uns aos outros – especialmente nas lutas entre facções da Guarda Vermelha…. Foi apenas um caso de deixá-los soltos e eles fizeram isso.”

“Estou chocada que após 50 anos ainda não temos um relatório completo sobre a Revolução Cultural. É uma vergonha”, disse Wang Youqin, pesquisadora da Revolução Cultural. “As coisas vão mudar”, disse Wang. “Se nos esforçarmos, se dissermos a verdade, as pessoas vão escutar.”

 

Fontes:
The Guardian-China marks 50 years since Cultural Revolution with silence
The Economist-China is still in denial about its “spiritual holocaust”

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