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China investe pesado em linhas de trem na África

Poucos lugares estão sendo remodelados pelo rolo compressor internacional chinês como a África

China investe pesado em linhas de trem na África
Empresas chinesas preenchem vazio na infraestrutura africana (Foto: Railways Africa)

No mês passado, o trem das 10h24 saiu da capital da República do Jibuti levando importantes nomes do Nordeste Africano. Embalados por um coro de cantores tribais, alguns líderes africanos, diplomatas europeus e ícones do cenário pop subiram as escadas da recém inaugurada estação ferroviária e fizeram a viagem inaugural dos belos e modernos vagões.

“É, de fato, um momento histórico, um orgulho para nossas nações e nossos povos. Esta linha vai mudar o cenário social e econômico para os nossos dois países”, disse Hailmariam Desalegn, o primeiro-ministro da Etiópia, pouco antes de o trem – o primeiro transnacional elétrico do continente – partir para Addis Ababa, capital de seu país.

Mas, talvez, a grande estrela da ocasião fosse a China, que foi responsável pelo design do sistema, forneceu os trens e “emprestou” centenas de engenheiros durante os seis anos que levaram para planejar e construir a linha de quase 750 km, além de financiar quase o total de US$ 4 bilhões necessários para o projeto.

Depois de construir uma das mais extensas e modernas linhas de trem em seu próprio país, a China está globalizando seus recursos e especialidades. Vagões de metrô chineses logo aparecerão em Chicago e Boston, alguns já fazem parte da linha no Rio de Janeiro, Pequim está construindo uma linha de alta velocidade de US$ 5 bilhões na Indonésia, e o governo chinês recentemente inaugurou um serviço de frete entre Londres e Pequim. Outro projeto ambicioso é a linha Pan-Asia, de 3.863 km, que ligaria Laos, Tailândia e Cingapura.

Mas poucos lugares estão sendo remodelados pelo rolo compressor internacional chinês como a África, um continente que viu poucas novas linhas de trem no último século. Apesar de anos de crescimento econômico estável, a África Subsaariana continua a ser prejudicada por um déficit de infraestrutura, de acordo com o banco Africa Development, com apenas metade de suas rodovias pavimentadas e cerca de 600 milhões de pessoas sem acesso à eletricidade.

Empresas chinesas, muitas estatais e batalhando contra a desaceleração da economia do país, gastaram US$ 50 bilhões por ano em novos portos, rodovias e aeroportos através do continente, de acordo com a China Africa Research Initiative, da Escola John Hopkins de Estudos Internacionais Avançados. Muitos dos projetos fazem parte da Nova Rota da Seda, de Pequim, um esforço de US$ 1 trilhão, que pretende aprofundar os laços entre a China e seus parceiros comerciais.

Fontes:
The New York Times-Joyous Africans Take to the Rails, With China’s Help

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3 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    Donalda Trump tem mais com o que se preocupar.

    E esta sua aproximação com a Rússia, não vai atrasar o disparado “bonde chinês” pelo mundo a fora.

    Enquanto os EEUU se envolvem nos assuntos internos de outras nações, provocando conflitos e criando antipatias, a China constrói obras, criando simpatias.

    Simples assim.

  2. Carlos Valoir simões disse:

    Enquanto os demais mandam “doações” e recolhem refugiados, a China investe.

  3. laercio disse:

    Em 1979 a China possuía o mesmo PIB que o Brasil! políticas sérias, punições, ausências de regalias e o nacionalismo fizeram com que houvesse crescimento empreendedor daquela população mais o crescimento estudantil.
    Decerto ainda há vários problemas mas percebemos nitidamente que se trata de um povo soberano, mesmo diante suas tendências políticas, conseguem fazer o povo sentir tal soberania; diferente do Brasil que assistimos: jovens terminando o ensino médio sem saber tabuada, outros não estudam, outros ainda partindo para o tráfico e prostituição; famílias sendo destruídas e a pena de morte “decretada” nas ruas…estamos completamente a mercês dos mercados internacionais porque não desenvolvemos nenhuma politica interna capaz de subsidiar o povo…se fala tanto em agro negócio etc, etc, mas você já reparou que só andamos na contramão! na realidade só estamos na contramão de tudo; se as políticas de agro negócios e outras fossem realmente revertidas em favor de nosso povo não estaríamos experimentando o estado atual de caos em que vivemos.

    parabéns a China que não deixou se iludir pelos tratados internacionais que amarram atualmente o nosso país.

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