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MANIFESTAÇÕES PRÓ-DEMOCRACIA

China promete retaliar EUA por apoio a Hong Kong

Governo chinês afirma que tomará ‘firmes providências’ em resposta à lei promulgada por Trump em apoio às manifestações pró-democracia na região

China promete retaliar EUA por apoio a Hong Kong
Uma das medidas cogitadas é banir autores da lei de entrar na China (Foto: U.S. Embassy & Consulates in China)

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O governo chinês está estudando medidas de represálias aos Estados Unidos em resposta à promulgação de uma lei em apoio às manifestações pró-democracia em Hong Kong.

Porta-voz do Partido Comunista Chinês, o jornal Global Times divulgou um artigo no qual aponta a indignação da China e destaca que o governo chinês promete tomar “tomar providências duras contra tais intenções sinistras, que visam interromper os esforços do país para realizar seu grande rejuvenescimento”. Uma das represálias cogitadas é banir os parlamentares autores da lei de entrar na China.

Pequim convocou o embaixador dos EUA na China, Terry Branstad, para expressar solenemente sua reprovação à legislação. Além disso, o vice-ministro das Relações Exteriores chinês, Le Yucheng, exortou o governo dos EUA a “corrigir esse erro, não implementar a lei e parar de interferir em questões de Hong Kong, para evitar causar dano maior à cooperação entre China e EUA em áreas vitais”.

“A China tomará providências firmes contra essa ação errada e os EUA assumirão a responsabilidade por todos os resultados”, disse Yucheng.

Aprovada pelo Congresso americano em 15 de outubro, a Hong Kong Human Rights and Democracy Act of 2019 foi promulgada pelo presidente Donald Trump na última quarta-feira, 27.

A lei é fruto de um esforço conjunto entre democratas e republicanos, e ambos os partidos receberam com satisfação a promulgação do presidente. Ela determina que o Departamento de Estado certifique o Congresso, anualmente, se Hong Kong tem garantido seu status especial, determinado em tratados e acordos, entre eles, o firmado com o Reino Unido, no âmbito da devolução da região para a China, sob o modelo “um país, dois sistemas”. As certificações serão uma exigência para que os EUA mantenham seus negócios comerciais com Hong Kong.

EUA miram ponto nevrálgico

Embora celebrada como uma declaração de que os EUA não toleram ataques à democracia, a lei tem sido alvo de críticas de hipocrisia. Alguns analistas apontam que o governo americano usou a legislação para embaraçar ainda mais a situação da China, que tem nas manifestações de Pequim seu maior desafio político em décadas.

Um deles é o colunista Alex Lo, do South China Morning Post, um jornal de grande circulação Hong Kong.

“A lei bipartidária Hong Kong Human Rights and Democracy é um exemplo do pior tipo de hipocrisia americana, o tipo de critério duplo que custa muitas vidas. […] É mais uma tentativa de explorar a turbulência interna em Hong Kong como parte da multifacetada ‘guerra fria’ dos EUA contra a China. Um aliado próximo dos EUA usa as armas mais avançadas e poderosas vendidas pelos EUA para mutilar e matar centenas de milhares de civis em outro país, que está entre os mais pobres do mundo. E esse aliado não cortou em pedaços, literalmente, um conhecido dissidente que tinha residência nos EUA? Outro aliado usou seus atiradores do exército para matar dezenas de manifestantes em apenas um dia em um território sob ocupação militar. Nenhuma palavra sobre esses cretinos no Congresso americano”, diz o artigo, em referência à guerra da Arábia Saudita contra o Iêmen – que é apoiada pelos EUA e abastecida com armas americanas – , ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi – morto e mutilado em uma ação orquestrada pelo regime saudita – e à ofensiva do Iraque contra manifestantes que protestavam contra o governo.

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