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China trapaceou na avaliação mundial de estudantes

China permitiu que apenas as notas dos estudantes de Xangai fossem contabilizadas na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da OECD

China trapaceou na avaliação mundial de estudantes
Sistema educacional de Xangai é bem diferente do encontrado no resto da China (Reprodução/Getty)

Os estudantes asiáticos dominaram todas as categorias avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), divulgado esta semana.

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Em parte, o bom desempenho é uma vitória dos estudantes, mas existe algo de errado na análise feita pelo Pisa. Os três primeiros “países” asiáticos no topo da lista, na verdade, são cidades: Xangai, a cidade de Cingapura e Hong Kong. Outra cidade a ocupar o topo da lista é Macau, que aparece em 6º lugar.

Todas essas cidades têm um ótimo padrão de ensino escolar, e compará-las com grandes países, com uma população dispersa, é algo tendencioso. A relação incomum da China com a OECD, organização responsável pelo Pisa, permitiu que apenas as notas dos estudantes de Xangai fossem contabilizadas na avaliação.

Por que Xangai? Como se pode imaginar, as condições em uma capital financeira mundial são diferentes das encontradas no resto da China, onde 66% das crianças vivem em áreas rurais. A população de Xangai corresponde a 1,7% dos cerca de 1,35 bilhões da população da China. Os pais de Xangai gastam com o ensino médio dos filhos muito mais do que a renda anual de um trabalhador rural (cerca de US$ 6 mil dólares). Além disso, 84% dos estudantes de Xangai conseguem concluir o curso superior, média bem acima dos 24% registrados pela China.

A OECD deveria impedir a China de divulgar os resultados obtidos por algumas cidades como valores oficiais do sistema educacional do país.

Fontes:
The Slate-We Need to Stop Letting China Cheat on International Education Rankings

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3 Opiniões

  1. Afonso Schroeder disse:

    Um povo milenar (China), que desde as gestões sabias de Mao se Tung vêm investindo maciçamente em educação, ciência e tecnologia no seu povo, por que será a preocupação duma parcela do povo Ocidental com seu desempenho não só na Educação, mas também em outros setores industriais, que com certeza estão algumas décadas a frente de nossos conhecimentos, penso que desmerecer a capacidade deste povo no mínimo é despeito de poucos do mundo Ocidental.

  2. Isam disse:

    Pensei que as falsificações fossem só nas mercadorias, mas até na educação? Por isso que não compro produtos chineses, por mais barato que seja, pois quase tudo são descartaveis.

  3. Alcebiades Abel Filho disse:

    A China não tem necessidade de se ocidentalizar. É uma das maiores civilizações do mundo com seus três pilares básicos que norteiam a educação do seu povo: o taoísmo, o budismo e o confucionismo. Qualquer sistema econômico , quer capitalista ou socialista vai sofrer influência de sua filosofia base. Portanto, essa avaliação da OECD não tem grande significado por não levar em consideração a cultura milenar de uma civilização. Existe uma estratégia muito sábia, que é uma característica da China, uma China rural mantendo sua cultura milenar e a China “capitalista” em algumas cidades para conquistar o mundo ocidental. Não se iludam a China não abre mão de sua estrutura cultural.

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