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Campanha contra a corrupção

Chineses estão menos interessados em seguir carreiras no serviço público

A política de austeridade recente do governo da China desestimulou o interesse dos chineses em seguir carreiras no serviço público

Chineses estão menos interessados em seguir carreiras no serviço público
Os estudantes estão menos interessados em trabalhar nos órgãos do governo (Fonte: Reprodução/The Economist/Claudio Munoz)

Ao longo do tempo, os empregos no serviço público adquiriram um grande prestígio na China. Nos últimos anos muitos chineses fizeram concursos para ingresso no serviço público. Os estudantes universitários, apesar de desiludidos com a política, aderiram ao Partido Comunista com a esperança de conseguir um cargo na burocracia estatal. A carreira de funcionário público proporcionava segurança e muitos privilégios. O único inconveniente eram os salários extremamente baixos. Neste mês os funcionários públicos vão ter o primeiro aumento salarial em quase dez anos; assim mesmo, muitos desistem da carreira. Os estudantes estão menos interessados em trabalhar nos órgãos do governo. E o clima é de ansiedade entre os funcionários públicos.

A razão desse desinteresse e ansiedade é a campanha do presidente Xi Jinping contra a corrupção, a mais intensa e prolongada na história do partido. As medidas do governo dificultaram o recebimento de subornos, que, tradicionalmente, suplementavam os baixos salários do funcionalismo. Muitos funcionários públicos agora temem que os agentes do departamento de anticorrupção do governo batam às suas portas. Em 2014 o governo acusou 232 mil funcionários de corrupção, 30% a mais do que no ano anterior. Embora esse número represente apenas 3% do total de funcionalismo, a divulgação desses casos exacerbou o clima de incerteza e desconforto. Coagidos pelas autoridades muitos funcionários visitaram, com suas esposas, os ex-colegas na prisão para aprenderem uma lição de moral.

Segundo o site de empregos chinês Zhaopin.com, nas três semanas após o feriado do Ano-Novo lunissolar em fevereiro, mais de 10 mil funcionários do governo pediram demissão e procuraram empregos com uma remuneração melhor, sobretudo no setor financeiro, no mercado imobiliário e nas empresas de tecnologia, quase um terço a mais em relação ao mesmo período em 2014.

O site atribuiu esse fato à nova política do governo de austeridade e sobriedade de costumes. Jantares e almoços suntuosos estão proibidos. Os órgãos do governo não podem mais construir sedes luxuosas. O governo também exerce um controle rígido quanto ao tamanho dos gabinetes dos ministros e ao ajuste de temperatura nos prédios. O recebimento de presentes e de doações em dinheiro, antes uma prática comum da vida burocrática, agora é um hábito bastante arriscado.

No último concurso anual de ingresso no serviço público realizado em 30 de novembro, havia 1,4 milhão de candidatos, 110 mil a menos do que no ano anterior. Mais de um terço desses candidatos não compareceu à prova. Só 40 candidatos se inscreveram para cada cargo disponível, o menor número em nove anos. Em 2010, a proporção era de 59 candidatos para cada cargo. As pesquisas de opinião recentes revelaram que os chineses nascidos na década de 1990 têm menos interesse em seguir a carreira de funcionário público do que as pessoas mais velhas.

Fontes:
The Economist - Civil servants: Who wants to be a mandarin?

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