Início » Internacional » Cidadãos de cidades sitiadas na Síria sofrem com falta de comida
CRISE HUMANITÁRIA

Cidadãos de cidades sitiadas na Síria sofrem com falta de comida

Cidadãos sírios mostram como a guerra os deixou sem suprimentos de comida

Cidadãos de cidades sitiadas na Síria sofrem com falta de comida
Mercados estão vazios (Foto: Twitter)

Esta semana, o New York Times publicou um artigo com vídeos e depoimentos de cidadãos vivendo em cidades sitiadas na Síria. Os depoimentos mostram como famílias vivem desde o início do cerco e como fazem para achar comida o suficiente para se alimentarem.

Em áreas controladas pela oposição, o governo impõe o cerco como uma arma de guerra, levando à falta de comida e medicamentos.

Em seu depoimento, o enfermeiro do enfermeiro Modar Shekho, de 28 anos, morador da cidade de Aleppo, controlada por rebeldes, filma as prateleiras vazias de um mercado. Ele estocou suprimentos da melhor forma que pôde antes das forças rebeldes fecharem a estrada para a parte leste de Aleppo. Ele e a esposa sobrevivem de refeições simples de macarrão instantâneo, feijões ou legumes. “Só queremos conseguir mais legumes, algumas frutas”, ele diz.

A professora Hala Abdulwahab, de 24 anos, vive com a família na cidade sitiada de Madaya. Ela faz uma refeição diária de lentilhas, arroz, triguilho (uma preparação feita com trigo) ou grãos. “Depois de 15 ou 20 minutos, eu vomito a comida, porque é muito pesada, não me faz bem”. Combustível para cozinhar também é difícil de encontrar. “Há pessoas cozinhando com livros e cadernos. Isso parte o coração.”

A médica obstetra Farida, de 37 anos, conta que é raro encontrar carne. “Nós estávamos comendo carne duas vezes por semana, frango uma vez por semana, antes do cerco. Agora é um sonho encontrar uma galinha, e se você achar, não tem legumes, como batatas, para comer”. Ela cozinha refeições simples para a filha e o marido.  Farida é uma das últimas ainda trabalhando em Aleppo, apesar das circunstâncias cada vez mais desafiadoras. “O trabalho é a minha vida. Eu amo.”

Fatemah, de 26 anos, ficou sem gás para cozinhar há algumas semanas. Ela agora cozinha para seus cinco filhos em uma fogueira com qualquer material que possa queimar, como madeira ou plástico reciclado. “Às vezes eu faço macarrão para o café da manhã, almoço e jantar, porque não temos pão”. Em dias alternados, ela compra seis pães para a família, que não duram muito. No mês passado, ela criou uma conta no Twitter para sua filha de 7 anos, Bana, e usa a plataforma para postar postar atualizações da situação e fazer campanha pelo fim dos ataques. “Nós dependemos do quanto conseguimos estocar antes do cerco. Se acabar, não teremos nada para comer.”

Em áreas controladas pelo governo, os cidadãos conseguiram manter um senso de normalidade, mas os preços dos alimentos sofreram uma super inflação.

O vendedor de uma loja de roupas no centro de Damasco, Moayad, de 19 anos, conta que os preços estão quase 10 vezes mais altos, mas a vida continua normal. Ele frequentemente vai a um restaurante quando volta para casa do trabalho.

Lena, de 40 anos, não consegue encontrar todos os ingredientes que usava antes da guerra para cozinhar para seus três filhos, mas diz que sua família teve sorte, comparada com outras. Ela agora cozinha principalmente arroz e parou de comer carne porque os preços estão muito altos.

Fontes:
New York Times-‘I Dream in Fruit’: What Hunger Looks Like in Syria

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *