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INTOLERÂNCIA NOS EUA

Cidade dos EUA é palco de marcha em prol da supremacia branca

Centenas de pessoas autoproclamadas defensoras da supremacia branca marcham pelas ruas de Charlottesville, na Virgínia, gritando palavras de ordem nazistas

Cidade dos EUA é palco de marcha em prol da supremacia branca
Cidade será palco de protestos da extrema direita este fim de semana (Foto: Twitter)

A cidade americana de Charlottesville, na Virgínia, foi palco de uma manifestação surreal na noite última sexta-feira, 11. Centenas de pessoas que se autoproclamavam defensoras da supremacia branca marcharam pelas ruas da cidade gritando palavras de ordem nazistas contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

Carregando tochas, em referência ao grupo racista Ku Klux Klan, os manifestantes cercaram o quarteirão principal da Universidade da Virgínia, que fica na cidade, gritando frases como “Vocês não vão nos substituir”, em referência aos imigrantes, “Judeus não vão nos substituir”, e “Vidas brancas importam”, em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”, em tradução livre), criado em protesto contra a morte de negros por policiais brancos. Alguns também gritavam “Morte aos antifas”, uma abreviação para “antifascistas”, como são chamadas as pessoas que se opõem ao fascismo.

Estudantes negros e brancos do campus tentaram impedir a chegada da marcha, formando um cordão de isolamento. Porém, por estarem em menor número, foram rapidamente expulsos pela marcha. Uma estudante deixou o local chorando muito e precisou ser amparada por amigos “É pior do que a gente pensava. É muito pior. Isso vai virar um inferno”, disse ela. “A negra está assustada!”, gritou uma mulher que fazia parte da marcha, rindo e portando uma tocha.

O jornalista Ricardo Senra, da BBC Brasil, conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. Os três carregavam tochas. “Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha”, disse o pai. “Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país”, disse a mãe.

A conversa com o jornalista foi interrompida após um homem careca se aproximar e dizer à família: “Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!”. A família, então, retornou para a marcha, gritando “Judeus não vão nos substituir”.

A marcha tinha como objetivo preparar Charlottesville, uma pacata cidade universitária, para as manifestações de apoio à extrema direita e à supremacia branca previstas para este fim de semana. Intitulado “Unite the Right” (“Unir a Direita”, em tradução livre), o protesto principal terá início na tarde deste sábado, 12. A expectativa é que os protestos reúnam milhares de pessoas.

Esta semana, o serviço online de hospedagem Airbnb cancelou contas e ativistas da extrema direita que estavam fazendo reservas na cidade. A empresa declarou que o movimento vai contra as suas regras.

Charlottesville tem de pouco mais de 50 mil habitantes e fica a apenas duas horas de Washington DC. A cidade foi escolhida para os protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal. A medida segue a tendência de várias cidades americanas que vêm retirando homenagens a militares confederados, que na Guerra Civil buscaram a independência do norte para impedir a abolição da escravatura.

Após a marcha, o prefeito de Charlottesville divulgou uma nota em sua página no Facebook, classificando a manifestação como “uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância”. “A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário”, disse o prefeito.

Não é a primeira vez que Charlottesville é palco de um protesto em prol da supremacia branca. Em 8 de julho, cerca de 40 membros da sede local da Ku Klux Klan marcharam pela cidade carregando tochas. O protesto terminou após policiais dispersarem o grupo com gás lacrimogêneo.

Fontes:
BBC Brasil-"Sou nazista, sim": O protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus
The New York Times-White Nationalists March on University of Virginia

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