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Polêmica

Cidade irlandesa prepara monumento em homenagem a Che Guevara

Memorial criado para homenagear as raízes irlandesas do revolucionário argentino recebe críticas ferozes do Congresso norte-americano

Cidade irlandesa prepara monumento em homenagem a Che Guevara
Memorial homenageando Che Guevara em Galway gerou protestos nos Estados Unidos (Simon McGuiness)

Billy Cameron nunca esperava provocar um incidente internacional. “Isso arruinou a minha vida aqui por algum tempo”, diz ele alegremente. As coisas ficaram feias depois que Cameron, um membro do Partido Trabalhista do Conselho da Cidade de Galway, propôs um memorial para homenagear um filho famoso da Irlanda, Che Guevara, ou “nosso Che”, como carinhosamente Cameron refere-se ao revolucionário argentino marxista.

Che fez apenas uma parada breve na Irlanda nos anos 60, visitando um pub na cidade costeira de Kilkee, uma noite depois de seu voo de Moscou para Cuba parar para reabastecer no aeroporto de Shannon e ficar preso no nevoeiro.

Mas Cameron defende a ideia de que o “Dr. Che Guevara Lynch”, como seus seguidores irlandeses o chamam, é uma figura de Galway, porque ele descende dos Lynches e dos Blakes, duas das 14 tribos originais de famílias de mercadores que um dia controlaram a cidade. “Patrick Lynch imigrou para a Argentina na metade do século XVIII, e se radicou em Buenos Aires”, diz Cameron. “Che Guevara é parte da diáspora irlandesa”.

De fato, a avó de Che Guevara era Ana Isabel Lynch, e seu pai, Ernesto Guevara Lynch, declarou durante uma entrevista em 1969, que nas veias de seu filho “corria o sangue dos rebeldes irlandeses”. Cameron concorda: “Tenho certeza de que Che estudou as táticas de guerrilha do IRA, da mesma forma que os Mau Mau fizeram no Quênia”. Ele acredita que o memorial, projetado pelo arquiteto Simon McGuiness e o artista Jim FitzPatrick poderá atrair turistas da América Latina.

FitzPatrick era apenas um barman adolescente em Kilkee quando serviu uísque a Che Guevara naquela noite nos anos 60. O líder guerrilheiro disse a FitzPatrick que seus ancestrais eram os Lynch de Galway, e que ele admirava os revolucionários irlandeses que “ajudaram a quebrar os grilhões do império”, conta o artista, que no fim dos anos 60 criou versões psicodélicas da clássica foto de Alberto Korda, na qual Che aparece com sua boina preta.

“Projeto monstruoso”

No entanto, quando os planos do memorial foram revelados nos jornais, “foi o inferno na Terra”, diz Cameron. A Congressista Ileana Ros-Lehtinen, da Flórida, presidente do Comitê de Relações Estrangeiras da Câmara do estado ficou furiosa, e escreveu ao primeiro-ministro Enda Kenny, classificando Che como “um assassino em massa sem respeito pelos direitos humanos”. Carlos Eire, um professor da Universidade de Yale, de origem cubana e irlandesa, escreveu uma carta, publicada no Galway Advertiser, condenando o “projeto monstruoso” e sugerindo a construção de um memorial de Oliver Cromwell ao lado do de Che Guevara.

FitzPatrick rebateu os comentários, escrevendo ao Irish Times e dizendo que deseja que a Irlanda tivesse uma figura como Che, que “pudesse servir de inspiração para que o povo irlandês pudesse punir os banqueiros e políticos que roubam o país”. Cameron, que destaca a popularidade de Che Guevara, citando como exemplos os filmes hollywoodianos sobre o líder argentino, diz que “Ros-Lehtinen e seus amigos lunáticos republicanos, que defendem os interesses dos cubanos de Miami, não têm porque opinar sobre a política de Galway”.

“O grande fruto de toda esta confusão é que o mundo saberá que Che tinha sangue irlandês e uma conexão com Galway”, diz Cameron. “E só isso, por si só, já é um grande feito”.

Fontes:
The New York Times - Gaelic Guerrilla

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