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Neonazismo

Cidade tenta evitar estigma por ser local de nascimento de Hitler

Prefeitura teme que imóvel vire local de culto para adeptos do neonazismo

Cidade tenta evitar estigma por ser local de nascimento de Hitler
À direita, prédio onde Hitler nasceu, na cidade de Braunau am Inn, na Áustria (Reprodução/Laetitia Vancon/The New York Times)

A cidade de Braunau am Inn, na Áustria, traz em sua história um capítulo que poderia levar à estigmatização do lugar. Próximo da praça principal da cidade está o edifício Salzburger Vorstadt, onde Adolf Hitler nasceu, em 1889. Os receios de que a casa pudesse se tornar um local de peregrinação neonazista levou o governo a assumir o arrendamento do edifício. Atualmente, apesar da polícia local afirmar que a cena neonazista diminuiu, a casa continua sob vigilância constante. Alguns moradores da cidade evitam inclusive pronunciar seu nome. Eles não querem um lembrete constante de que vivem no lugar onde o líder nazista nasceu.

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A família de Hitler, que não era de Braunau, alugava um quarto no andar superior do prédio, uma pousada do século XVII. Hitler viveu no imóvel por apenas algumas semanas, antes que sua família se mudasse para outro endereço, na mesma cidade. Mesmo assim, o local ficou famoso. Ao longo dos anos, a casa serviu como um museu improvisado, uma escola e uma biblioteca. Por mais de três décadas pertenceu a uma organização que oferece assistência, suporte e integração às pessoas com deficiência. No entanto, o grupo saiu do local em 2011, já que o atual proprietário do prédio se recusou a permitir as reformas necessárias. Então, o governo austríaco voltou a enfrentar a questão do que fazer com o prédio.

Sob arrendamento do governo, a propriedade é de Gerlinde Pommer, um descendente da primeira família que viveu ali. Eles tinham uma taberna no térreo e apartamentos nos andares superiores, um dos quais foi alugado pelos pais de Hitler antes de seu nascimento. A relutância do proprietário tornou mais difícil a tarefa de encontrar um inquilino que atendesse aos requisitos de usar o local para fins administrativos, educacionais ou de serviços sociais. Enquanto isso, o governo austríaco continua a pagar cerca de 4.800 euros por mês de aluguel. E desde dezembro vem procurando uma solução para o edifício vazio.

A prefeitura já chegou a se oferecer para comprar a casa, e pesquisa se seria possível desapropriar o proprietário, caso ele continue a se recusar a fazer as obras necessárias. O prefeito de Braunau, Johannes Waidbacher, passou meses com o conselho municipal lutando em vão para chegar a um consenso sobre algum uso da casa que deixaria o governo, a cidade e o proprietário felizes. Como muitos, o prefeito reconhece o peso e a responsabilidade indiscutível, mesmo que indesejável, que a casa e a cidade têm. O estigma tem afligido os moradores. É difícil viver em um lugar onde o próprio nome faz alusão ao nazismo. “Braunau” significa marrom em alemão, e é a cor associada ao Partido Nazista. “Braunau não é marrom”, é um dos slogans que tentaram melhorar a imagem da cidade.

O historiador austríaco Andreas Maislinger passou anos tentando angariar apoio para sua ideia de criar um memorial internacional e um projeto de paz que iria envolver jovens, com colaborações internacionais. “Braunau é um memorial à sua própria maneira. Não é um lugar onde os crimes foram cometidos. Nenhuma decisão foi tomada aqui. Não obstante, têm se preocupado com o lugar por décadas. Braunau é um símbolo. É onde o mal veio ao mundo”, explica ao Globo.

 

Fontes:
O Globo-Cidade natal de Hitler tenta evitar o estigma
Daily Mail-Austrian pub where Adolf Hitler was born set to become a museum dedicated to the Nazi leader's crimes

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