Início » Economia » Cidades natais de líderes africanos concentram investimentos da China
AJUDA FINANCEIRA

Cidades natais de líderes africanos concentram investimentos da China

Estudo feito nos EUA mostra que presidentes africanos costumam canalizar para suas cidades natais o investimento feito pela China em seus respectivos países

Cidades natais de líderes africanos concentram investimentos da China
Regiões de nascimento dos líderes africanos são muitas vezes mais ricas do que a média (Foto: Sputnik)

Em 2010, Yang Jiechi, então ministro das Relações Exteriores da China, visitou Yoni, um vilarejo em Serra Leoa, com o objetivo de inaugurar uma nova escola financiada pelo governo chinês. Sem dúvida, Serra Leoa precisa de escolas, mas alguns questionaram o motivo dos chineses terem escolhido esse povoado em especial para construir a escola.

Yoni tem importância para o governo da China por ser a aldeia natal do presidente da Serra Leoa, Ernest Bai Koroma. Os habitantes de Yoni, observaram os economistas Daron Acemoglu e James Robinson, vivem em casas novas que poderiam ser consideradas “palácios”, segundo os padrões da região rural da África.

Há uma suspeita entre os que estudam a ajuda financeira concedida por governos e agências de fomento a países em desenvolvimento, que a ajuda chinesa é mais fácil de ser manipulada do que a ocidental, que, em geral, tem regras e contrapartidas. Em 2014, um relatório do governo declarou que a China não impunha “condições políticas” aos países que pediam ajuda financeira. Mas essa ausência de comprometimento permite que os líderes locais façam um uso indevido dos financiamentos, dizem os críticos.

Porém, é difícil provar que haja corrupção. A ajuda financeira da China é acompanhada em geral pela concessão de empréstimos comerciais, o que dificulta uma investigação minuciosa. Mas desde 2013, o AidData Center, um instituto de pesquisa do College of William and Mary nos Estados Unidos, tem examinado matérias publicadas pela imprensa, com a finalidade de organizar um banco de dados sobre o programa de financiamento do governo chinês a países em desenvolvimento. A pesquisa localizou mais de 2 mil projetos em 50 países africanos no período de 2000 a 2013. Há pouco tempo, uma equipe de economistas usou o banco de dados para verificar se esses projetos coincidiam com os locais de nascimento dos presidentes.

Em um artigo recém-publicado, os economistas mostraram que a ajuda financeira ao lugar de nascimento de um líder local quase triplicava depois que ele assumia o poder. Resultados semelhantes foram encontrados em regiões natais das esposas dos presidentes. A escolha dos locais e a administração dos recursos divergem dos padrões do Banco Mundial, o principal órgão de ajuda financeira internacional a países em desenvolvimento. “A ajuda chinesa é especial”, disse Andreas Fuchs, coautor do estudo.

Mesmo antes de receber a ajuda financeira, as regiões de nascimento dos líderes africanos são muitas vezes mais ricas do que a média, observou Roland Hodler, outro coautor do artigo. Mas a China dá um novo impulso a essas regiões. Segundo os pesquisadores, com o acréscimo de 10% do financiamento do governo chinês o PIB regional tem um aumento de 0,24%. Isso sugere, concluíram, que a China está aumentando as desigualdades geográficas nos países beneficiados por sua ajuda financeira.

Fontes:
The Economist-The birthplaces of African leaders receive an awful lot of aid

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *