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CIÊNCIA

Cientistas criam nova arma contra mosquitos da malária

Um experimento realizado em animais pode ser uma nova arma de combate à malária

Cientistas criam nova arma contra mosquitos da malária
Nova técnica pode transformar pessoas vacinadas em armas químicas (Foto: Pixabay)

O combate aos mosquitos do gênero Anopheles, que transmitem a malária, é um trabalho extremamente complexo e, por esse motivo, alguns médicos pensam em usar seres humanos para atrair os insetos. A ideia é administrar o medicamento Ivermectina em pessoas que vivem em regiões onde a doença está disseminada. O medicamento não as protegerá diretamente da malária, porque não age no parasita que provoca a doença. Mas tem o efeito de tornar o sangue das pessoas medicadas venenoso para o mosquito Anopheles.

Em geral, os mosquitos não se distanciam muito dos seus locais de reprodução e os experimentos sugerem que se a maioria dos habitantes de um vilarejo fosse medicada com Ivermectina, a eliminação dos mosquitos Anopheles na área seria bem mais eficaz. Portanto, reduziria o número de casos de malária em locais endêmicos.

Porém existe um problema ético em discussão. O medicamento Ivermectina é usado no tratamento da filariose, da oncocercose, da escabiose e de outras doenças provocadas por parasitas e vermes. Mas administrá-lo em pessoas saudáveis é uma experiência em geral criticada. No momento existe uma objeção de ordem mais prática. O tempo de permanência da Ivermectina no corpo de uma pessoa não é suficiente para combater os mosquitos transmissores da malária.

Porém, Robert Langer do Massachusetts Institute of Technology e Giovanni Traverso do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, propõem uma solução mais eficiente. Em um artigo publicado na revista Science Translational Medicine, os pesquisadores descreveram uma técnica para manter o nível de concentração da Ivermectina no sangue por mais tempo.

O ponto de partida de seu experimento é a policaprolactona (PCL), um biopoliéster muito usado no desenvolvimento de micropartículas. Langer e Traverso derreteram o PCL e o misturaram com Ivermectina em pó. Em seguida, testaram a mistura em uma solução ácida que imitava a estrutura da função do estômago humano, com o objetivo de verificar o grau de proteção oferecido ao medicamento, assim como para medir o nível de permanência da Ivermectina na solução. Os pesquisadores descobriram que o PCL protegia a Ivermectina da solução ácida. Além disso, permitiu que o medicamento se espalhasse pelo estômago durante 14 dias.

Incentivados por essa descoberta, os pesquisadores pensaram em como a mistura de PCL e Ivermectina poderia permanecer por mais tempo no estômago, em vez de passar logo para o intestino e, por fim, ser expelida. O recurso encontrado foi uma estrutura em forma de estrela com 4 cm de diâmetro com um centro de poliuretano flexível e as pontas feitas com a mistura de PCL e Ivermectina.

Em seguida, Langer e Traverso dobraram a estrutura dentro de uma cápsula de gelatina, para que pudesse ser engolida. Assim que chegou no estômago, a gelatina foi rapidamente digerida e o tamanho da estrela impediu que fosse expelida para o intestino, porém sem obstruir a passagem dos alimentos semidigeridos pelo trato gastrintestinal. Depois de um experimento cuidadoso, as pontas da estrela feitas com a mistura de PCL e Ivermectina se desintegraram. O centro então passou pelo intestino e foi expelido.

Logo que os testes de laboratório indicaram que esse experimento poderia funcionar, os pesquisadores realizaram testes em porcos da raça Yorkshire. É uma raça comum e as passagens entre o estômago e os intestinos são semelhantes em tamanho às dos seres humanos.

Com o uso de raios-X, eles monitoraram o movimento das estrelas nos intestinos dos porcos. Também colheram uma amostra do sangue dos animais para verificar a absorção da Ivermectina. Como haviam previsto, as estrelas conseguiram liberar o medicamento em doses letais para os mosquitos durante duas semanas. E quando as pontas das estrelas se desintegraram, o centro atravessou o resto do sistema digestivo sem efeitos colaterais prejudiciais à saúde.

Langer e Traverso pretendem começar os experimentos com seres humanos no próximo ano. Mas também pensam se não descobriram algo que pode ter um uso mais abrangente. Tomar doses repetidas de qualquer remédio para manter seu nível de ação alto é um esforço inútil. Se as estrelas pudessem absorver outros medicamentos, as doses diárias ou mais frequentes poderiam ser administradas em uma única dose forte por 15 dias.

Ainda não se sabe se outros medicamentos podem ser administrados dessa forma. No entanto, mesmo se a função das estrelas seja apenas de liberar a Ivermectina, ainda assim elas serão um recurso útil no combate à malária. Só isso, poderá salvar muitas vidas por ano.

Fontes:
The Economist-The bitter bit

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