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Cigarros de uniforme

Empresas de cigarro vão ter que engolir a disseminação das leis de embalagens padronizadas

Cigarros de uniforme
Países observam com atenção o experimento australiano de maços padronizados (Reprodução/PIN)

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Os australianos o chamam de Winnie Blues, mas seus cigarros favoritos vão perder seu familiar invólucro azul e branco sob a nova lei australiana de embalagens padronizadas que entra em vigor em 1° de dezembro. A partir desta data, todos os cigarros têm que ser vendidos em maços idênticos (“marrom escuro” foi a cor aprovada) com a marca grafada em uma fonte padronizada. As empresas produtoras de cigarro estão enfurecidas. Maços padronizados são “imbecis”, declara o site da British American Tobacco (BAT), a segunda maior produtora não estatal. Nova Zelândia, Grã-Bretanha e a União Europeia estão considerando leis de embalagem padronizada próprias. Todos estão observando o experimento australiano.

Certamente será um desastre para as grandes empresas de cigarro. Os governos começaram a proibir anúncios de cigarros na televisão na década de 60, e embora o mercado ainda conte com bastante liberdade em boa parte do mundo, esta tem diminuído. Muitos governos proibiram anúncios em mídias impressas e obrigaram as produtoras de cigarro a estampar imagens chocantes nos maços. Na guerra do marketing dos cigarros, a embalagem é a “última grande fronteira”, afirma David Hammon da Universidade de Waterloo, no Canadá. “Por isso está acontecendo uma oposição tão forte”.

Mas o setor de cigarros é estranhamente resiliente. O consumo está diminuindo em países desenvolvidos, mas continua a subir nos países mais pobres, devido em parte ao seu aumento populacional. Conforme o PIB aumenta, os fumantes passam a fumar marcas mais caras. O número de cigarros fumados globalmente diminuirá 9% entre 2015 e 2050, prevê a Euromonitor International, uma empresa de pesquisa de mercado. Mas as empresas produtoras de cigarro estão acostumadas a extrair lucros mais polpudos de mercados estagnados. Consumidores viciados e impostos altos fazer com que seja fácil elevar os preços. O estigma do setor mantém competidores em potencial afastados.

Fontes:
The Economist-Look what they’ve done to my brands

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