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Cisjordânia enfrenta grave crise de escassez de água

Apesar das usinas de dessalinização de Israel que fornecem água potável à população israelense, a Cisjordânia enfrenta uma de suas piores crises de escassez de água

Cisjordânia enfrenta grave crise de escassez de água
A crise hídrica se agravou nesse verão (Fonte: Reprodução/Reuters)

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Iyad Qassem está tentando administrar um bar, onde serve café e outras bebidas, além de refeições ligeiras, sem o abastecimento de água. Ele reutiliza o material na pia, que logo fica suja, e nos narguilés que os palestinos fumam na varanda do café. Seria um trabalho difícil se tivesse muitos clientes. Mas as pessoas que há uma semana não tomam um banho de chuveiro perderam o interesse em beber chá com um calor de 35°C. “O bar está vazio porque há uma preocupação geral com a escassez de água. É impossível administrar um negócio nessas condições”, disse.

Milhares de palestinos em Salfit e nos vilarejos vizinhos estão sofrendo com os longos meses de seca. A escassez de água no verão não é uma novidade nas colinas áridas perto de Nablus, ao norte da Cisjordânia. Mas nesse verão a crise hídrica se agravou. Só algumas gotas pingaram das torneiras antes do feriado do ramadã; e poucos esperam que a situação melhore antes das chuvas de inverno.

Antes os israelenses tinham uma preocupação excessiva com o nível do seu maior reservatório natural, o mar da Galileia. Na última semana de julho o nível estava apenas a 11 cm acima da “linha vermelha”, o ponto em que Israel para de bombear água para evitar um desastre ecológico. No entanto, agora as autoridades não se preocupam tanto com o nível de água do mar da Galileia, porque quase toda a água potável que abastece Israel é produzida artificialmente.

Cerca de um terço é proveniente das usinas de dessalinização, que usam uma tecnologia considerada uma das mais modernas do mundo. Os agricultores contam com a água produzida nessas usinas para a irrigação de suas plantações. Israel recicla 86% da água dos esgotos, o maior programa de reaproveitamento de esgoto para consumo doméstico no mundo; o tratamento da água dos esgotos na Espanha, o segundo em eficiência, recicla cerca de 20% da água.

Mas nenhuma dessas soluções tecnológicas sofisticadas beneficiou os palestinos, porque eles não estão ligados à rede de abastecimento de água de Israel. O suprimento de água dos palestinos depende do aquífero da Montanha situado no território da Cisjordânia, ocupado em parte por Israel em 1967. Segundo os acordos de Oslo assinados em 1995, 80% da água do aquífero abasteceria Israel e o restante forneceria água para os palestinos. Os acordos, que marcaram o início das negociações de paz entre israelenses e palestinos, previam um período de cinco anos para o avanço gradual do processo de paz. Mas após 20 anos dos acordos de Oslo, hoje, a Cisjordânia tem 3 milhões de habitantes, quase o dobro da época da assinatura das negociações. Mas a cláusula do abastecimento de água não manteve o mesmo ritmo do crescimento demográfico da região.

Fontes:
The Economist - Water in the West Bank Nor yet a drop to drink

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1 Opinião

  1. Vasco Antonio Duval disse:

    A tentativa do extermínio de um povo se repete de inúmeros meios e maneiras. Agora mais sutil e dissimulado, sob argumentos, justificativas e “fundamentos” diversos dos alegados há 80 anos.

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