Início » Internacional » Citizenfour: documentário que trata sobre a espionagem americana
Documentário

Citizenfour: documentário que trata sobre a espionagem americana

O resultado é um documentário minimalista e tenso, editado com ritmo de thriller, e já considerado um sério candidato a uma indicação ao Oscar

Citizenfour: documentário que trata sobre a espionagem americana
Quando Greenwald mostra a Snowden os documentos enviados pela sua nova fonte, seus olhos quase pulam das órbitas (Reprodução/Praxis Films)

Segredos abertos são engraçados. Em “Citizenfour”, Edward Snowden – que revelou mais segredos do que ninguém na história da espionagem americana, e objeto central do filme – lembra que, por anos, as pessoas costumavam brincar em conversas on-line sobre assuntos políticos sensíveis, dizendo que iam acabar em alguma lista de suspeitos do governo. Mesmo antes dos documentos revelados por Snowden dominarem os jornais em meados de 2013, qualquer um que entendesse de tecnologia já estava pelo menos vagamente consciente de que agências de espionagem ocidentais tinham passado a maior parte da década anterior juntando as peças de uma enorme rede mundial de vigilância eletrônica. Mas os detalhes permaneciam, em grande parte, secretos, o assunto era desconfortável, e a maioria das pessoas preferia não pensar muito no que estava sendo feito.

As revelações de Snowden tornaram essa “ignorância proposital” impossível. Normalmente, elas são associadas ao jornalista Glenn Greenwald, mas a primeira jornalista a recebê-los foi, na verdade, Laura Poitras, cujo documentário de 2006 sobre a ocupação americana no Iraque a tornou alvo de anos de abuso por oficiais de segurança em aeroportos americanos. Enquanto Snowden, em um hotel em Hong Kong, explicava para Greenwald e Ewan MacAskill os detalhes das redes de vigilância em massa que ele estava prestes a expor, Poitras capturava tudo em filme.

O resultado é um documentário minimalista e tenso, editado com ritmo de thriller, e já considerado um sério candidato a uma indicação ao Oscar.

No final, é claro, não foram espiões, mas sim repórteres que caçaram o paradeiro de Snowden, que passou a procurar asilo, acompanhado de um advogado de direitos humanos.

Mas Poitras guardou uma surpresa para o final. No momento, Snowden vive em Moscou, onde conseguiu asilo político depois de ter seu passaporte suspenso pelo governo americano durante sua passagem pela América do Sul. O filme termina com uma visita de Greenwald, na qual ele e Snowden discutem a possível existência de um segundo agente na NSA prestes a revelar documentos secretos. Quando Greenwald mostra a Snowden os documentos enviados pela sua nova fonte, seus olhos quase pulam das órbitas. Sem dúvidas, podemos esperar mais documentos revelados muito em breve.

 

Fontes:
The Economist-Watching Edward Snowden

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *