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GUERRA NO IÊMEN

Coalizão saudita ignora apelos e ataca porto de Hodeida

Tropas lideradas pela Arábia Saudita iniciam ofensiva para retomar o controle da cidade portuária de Hodeida. Ataque aprofunda a crise humanitária no Iêmen

Coalizão saudita ignora apelos e ataca porto de Hodeida
ONU alerta que o ataque coloca em risco a vida de cerca de 600 mil civis (Foto: Twitter/almayadeen)

A coalizão saudita no Iêmen deflagrou na manhã desta quarta-feira, 13, um ataque massivo para retomar de rebeldes o controle sobre a cidade portuária de Hodeida, numa manobra que coloca em risco a vida de milhares de civis.

Segundo informações da rede CNN, o ataque começou durante a madrugada. Aviões e navios de guerra bombardearam alvos rebeldes para auxiliar as operações por terra de tropas do Iêmen, dos Emirados Árabes Unidos e do Sudão, que integram a coalizão liderada pela Arábia Saudita.

O ação ignora os apelos da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta que o ataque ameaça a vida de milhões de civis que residem na cidade e corta uma rota crucial para o fornecimento de ajuda humanitária a cerca de 600 mil residentes de Hodeida e seu entorno e milhões de pessoas no Iêmen ameaçadas pelas crises de fome e de cólera que assolam o país, agravadas pela guerra entre o governo iemenita e rebeldes da etnia houthi, que já dura três anos.

Cerca de 90% de toda comida, combustível e medicamentos consumidos no Iêmen é proveniente de importação. O porto de Hodeida recebe 70% de todos os fornecimentos. Logo, o controle do porto é uma questão crucial na guerra iemenita. Oficiais da coalizão saudita justificaram o ataque desta quarta-feira argumentando que os rebeldes vêm usando o porto para contrabandear armas, cobrar taxas e desviar os fornecimentos.

Porém, segundo um artigo publicado no New York Times, o ataque também reflete o desejo da coalizão de desferir um grande golpe contra os rebeldes houthis, que são apoiados pelo Irã, rival regional da Arábia Saudita no Oriente Médio. Para analistas, o momento para o ataque é oportuno, uma vez que os olhos da comunidade internacional estão voltados para o encontro entre o presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un, ocorrido em Cingapura.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, vem costurando um acordo com os rebeldes houthis que prevê a entrega da cidade de Hodeida e seu porto para um organismo internacional. No entanto, ele alerta que o ataque compromete seus esforços de paz.

Diplomatas da ONU e membros do governo americano alertam que o ataque a Hodeida terá consequências catastróficas. Em Washington, está em curso uma proposta bipartidária que determina o corte do auxílio financeiro dos EUA em caso de um ataque a Hodeida. O auxílio tem sido crucial para a campanha da coalizão.

Embora os EUA tenham laços estreitos com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, muitos parlamentares americanos e diplomatas internacionais culpam ambos os países por exacerbar uma grave crise humanitária por meio de ataques indiscriminados que ceifaram milhares de vidas civis. Segundo o deputado democrata Ted Lieu, da Califórnia, um ataque a Hodeida “mergulharia o país ainda mais em um desastre humanitário e ameaçaria criar outro vácuo de poder para a Al Qaeda preencher”.

“Se cruzarem essa linha vermelha, os EUA terão a obrigação estratégica, moral e legal de cortar todo o apoio para a coalizão no Iêmen”, disse o democrata.

Tornando o cenário de Hodeida ainda mais sombrio, a ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha iniciaram na última segunda-feira, 11, a retirada de seus agentes humanitários da cidade por questões de segurança, diante da iminência do ataque consolidado nesta quarta-feira.

 

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