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Cultivo ilegal

Colômbia decide parar com a pulverização de herbicida no cultivo ilegal de coca

A mudança de estratégia pode causar tensão no relacionamento entre a Colômbia e os Estados Unidos

Colômbia decide parar com a pulverização de herbicida no cultivo ilegal de coca
A pulverização de herbicida é uma tentativa de acabar com o cultivo de coca que fornece a matéria-prima da cocaína (Foto: Wikimedia)

O governo da Colômbia decidiu suspender a pulverização de herbicidas nas vastas plantações ilegais de coca do país, um método da campanha antidrogas do país apoiado pelos Estados Unidos. O argumento do presidente Manuel Santos, anunciado na última quinta-feira, 14, é que o spray pode causar câncer.

Segundo a revista Economist, poucas políticas públicas na América Latina são tão ineficazes quanto a erradicação da coca. Daniel Mejía, da Universidade dos Andes, em Bogotá, descobriu que é preciso pulverizar 30 hectares para que um funcione.  A erradicação manual também não é eficaz, já que os agricultores de coca replantam imediatamente. Além disso, ela é perigosa, pois envolve o envio de tropas e trabalhadores em áreas controladas por traficantes e quadrilhas de guerrilheiros. De acordo com a revista, em vez de destruir a cultura, a erradicação apenas a empurra para novas áreas. A produção total de cocaína nos Andes manteve-se grande o suficiente para abastecer o mundo sem nada mais do que picos ocasionais de preços.

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Atualmente, a Colômbia pulveriza cerca de 130 mil hectares por ano com o glifosato, um poderoso herbicida, em uma tentativa de acabar com o cultivo de coca, que fornece a matéria-prima da cocaína. O país é um dos aliados mais próximos dos Estados Unidos na América Latina, além de ser seu parceiro mais fiel na política antidrogas. Porém, a mudança de estratégia tem o potencial de adicionar um novo elemento de tensão neste relacionamento.

Os defensores da pulverização, afirmam que o método tem desempenhado um papel vital na redução do cultivo de coca na Colômbia. Mas estudos têm relacionado a pulverização ao aumento das taxas de doenças de pele e respiratórias, e de abortos espontâneos entre as famílias de agricultores. Em março, uma pesquisa de um órgão ligado a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o glifosato como “provavelmente cancerígeno”. A constatação é rejeitada pela Monsanto, seu fabricante, e alguns cientistas independentes. Mas a pesquisa fez com que o presidente pedisse a suspensão do método.

Fontes:
The New York Times-Defying U.S., Colombia Halts Aerial Spraying of Crops Used to Make Cocaine
The Economist-The futility of coca eradication

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