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SEQUESTRADOS POR GUERRILHEIROS

Colômbia identifica corpos de equipe de imprensa do Equador

Equipe do jornal ‘El Comércio’, do Equador, foi sequestrada há três meses, por grupo dissidente das Farc, quando fazia uma reportagem na fronteira entre os países

Colômbia identifica corpos de equipe de imprensa do Equador
Equipe foi executada por dissidentes das Farc que rejeitaram a pacificação do grupo (Foto: El Comercio/Arquivo pessoal)

O governo da Colômbia identificou na última segunda-feira, 25, os corpos de três equatorianos da equipe do jornal El Comercio, um dos mais tradicionais do Equador, sequestrados e executados por guerrilheiros dissidentes das Farc.

O jornalista Javier Ortega, de 32 anos, o fotógrafo Paúl Rivas, de 45 anos, e o motorista da equipe, Efraín Segarra, de 60 anos, foram sequestrados em 26 de março, quando realizavam uma reportagem em uma região fronteiriça entre Colômbia e Equador onde atuam narcotraficantes.

Os corpos foram resgatados pela polícia colombiana na última quinta-feira, 21, em uma região de mata do município de Tumaco, que faz fronteira com o Equador. Eles estavam em uma cova cercada de minas onde, segundo a polícia, foram lançados em meio a uma intensa perseguição policial. Na mesma cova também foi encontrado um quarto corpo, cuja identidade ainda não foi revelada.

Em uma curta declaração à imprensa, o Procurador-Geral da Colômbia, Néstor Humberto Martínez, confirmou a identidade dos três integrantes da equipe de imprensa e prometeu resposta. “Este crime horrendo não vai ficar impune e a Justiça vai agir muito precocemente para que se estabeleçam as responsabilidades correspondentes”, disse Martínez.

Em comunicado, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que os corpos “serão entregues às autoridades equatorianas, que já dispuseram do transporte aéreo de Cali para este fim”.

A reportagem da equipe do jornal El Comercio apurava a existência, na fronteira entre Colômbia e Equador, de grupos compostos por guerrilheiros que se afastaram do processo de paz firmado entre o governo colombiano e as já dissolvidas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os guerrilheiros estariam em Mataje, onde são perseguidos por forças de segurança do Equador e da Colômbia.

No início de abril, um vídeo exibido pelo canal colombiano RCN divulgou imagens onde Ortega, Rivas e Segarra apareciam com algemas e correntes no pescoço. Eles foram sequestrados pelo grupo do guerrilheiro Walther Arizala, ex-integrante das Farc que se afastou do grupo por ser contrário ao acordo de paz firmado com o governo colombiano que transformou o ex-grupo guerrilheiro em um partido político de esquerda.

Os sequestradores pediam a libertação de aliados de Arizala presos no Equador, mas, segundo informações da agência de notícias AFP, a negociação foi frustrada por operações militares. Dias após a rede RCN exibir as imagens dos três equatorianos presos, novas fotos foram divulgadas, desta vez mostrando os três equatorianos acorrentados e executados. O caso levou o presidente do Equador, Lenín Moreno, a cancelar sua participação na Cúpula das Américas, ocorrida em 13 de abril deste ano, no Paraguai. Lenin, que já estava em Lima para o evento, retornou às pressas ao Equador, afirmando que seu país iria “com toda a contundência […] e sem contemplações punir estes violadores de todos os direitos humanos”.

Nesta segunda-feira, a versão online do El Comercio colocou um laço preto no nome da publicação, em sinal de luto pela morte dos integrantes, e deu destaque à cobertura do caso. O jornal El Comercio foi fundado em Quito, em 1906, pelos irmãos Carlos e César Mantilla Jácome. A publicação é a maior da capital equatoriana e uma das principais do país.

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