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7º DIA DE PROTESTOS

Colômbia vive mais um dia de greve geral

País entra em seu 7º dia de protestos nesta quarta-feira, 27. Morte de jovem com disparo à queima roupa em manifestação inflama movimentos estudantis

Colômbia vive mais um dia de greve geral
Sete entre dez colombianos reprova a gestão de Iván Duque (Foto: Twitter/Andrew Crecelius)

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A Colômbia amanheceu nesta quarta-feira, 27, em seu sétimo dia de manifestações após uma nova greve geral ser convocada por líderes que organizam os protestos.

A greve foi convocada na última terça-feira, 26, após uma reunião entre lideranças e representantes do governo encerrar sem acordos entre as partes. As lideranças suspenderam as negociações com o governo por demandar uma conversa direta com o presidente Iván Duque.

Os protestos e a greve geral são convocados por sindicatos, centrais trabalhistas, organizações camponesas, lideranças universitárias e partidos de oposição. 

Para tentar dissipar a onda de insatisfação contra seu governo, Duque anunciou um pacote de medidas sociais, entre elas, a redução gradual dos impostos para saúde pagos por pensionistas que recebem o equivalente a um salário mínimo, incentivos fiscais a empresas que contratarem jovens entre 18 e 28 anos, e a isenção de impostos para as camadas mais pobres.

A ação tomada por Duque é similar à medida adotada pelo presidente chileno Sebastián Piñera, que para conter os protestos em seu país anunciou uma série de medidas. Porém, assim como ocorreu no Chile, o anúncio não arrefeceu os ânimos dos manifestantes colombianos, num país onde sete entre dez colombianos reprovam a gestão de Duque.

O estopim das manifestações na Colômbia foram as reformas propostas por Duque para o sistema previdenciário e o mercado de trabalho. A primeira aumentaria a idade para a aposentadoria; a segunda flexibilizaria as normas de contratação, aumentando a contribuição paga por trabalhadores para terem acesso aos seus direitos.

Porém, segundo informou a AFP, a insatisfação dos colombianos com a gestão de Duque, que chegou ao poder em agosto de 2018, vem se acumulando há meses. Um dos motivos é a desigualdade e a precarização do emprego. Atualmente, a Colômbia é o país mais afetado pela desigualdade entre os 36 membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O desemprego afeta mais de 10% da população e 50% dos colombianos vivem de trabalhos informais.

Tal fato se reflete na resposta da opinião pública ao anúncio de Duque, que divulgou seu pacote social em uma série de postagens no Twitter.

“Com o nosso programa de governo, adotamos a equidade e a construção de um país mais justo em questões sociais, sem populismo e sem demagogia. Este ano, atingiremos 80.000 jovens com ensino superior gratuito e 130.000 melhorias habitacionais, entre outros benefícios”, diz o presidente em uma das postagens.

A maioria das reações são de críticas e contestação do anúncio. “Isso é real? Em que país você acredita estar? Parece que não viu nem em noticiários o que se passa nas ruas, parece que o povo pensa tudo ao contrário das suas declarações. Isso é o mesmo que jogar uma partida de futebol com derrota por 5 a 0, com posse de bola inferior a 10% e 0 chutes a gol, para depois sair a dizer ‘É a melhor partida que jogamos e o que conquistamos hoje é histórico para nós, somos a melhor equipe”, disse um homem. “Na greve somos delinquentes, nas eleições somos cidadãos”, ironizou outro.

Morte de jovem inflama setores estudantis

A trágica morte de um estudante secundarista de 18 anos, que participava de um protesto no centro da capital Bogotá, acirrou os setores estudantis que participam das manifestações. Dilan Cruz foi atingido por um disparo de bomba de gás lacrimogêneo quando passava por uma rua. Vídeos gravados mostram que o disparo foi feito a curtíssima distância, por um agente da Esmad – a policia nacional da Colômbia.

O rosto de Dilan se tornou um símbolo dos protestos e levou os setores estudantis a incluir em suas demandas o fim da Esmad e elevar as convocações por mais protestos. Ademais, os estudantes passaram a acusar Duque de assassinato, afirmando que parte dele a ordem de aumentar a repressão policial aos manifestantes.

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