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Comboio humanitário dos EUA é impedido de entrar na Venezuela

Ajuda humanitária dos Estados Unidos está travada em Cúcuta, na fronteira com a Venezuela. Fronteira é bloqueada por militares

Comboio humanitário dos EUA é impedido de entrar na Venezuela
Governo venezuelano bloqueou a fronteira com a Colômbia (Foto: Juan Guaidó/Twitter)

Uma ajuda humanitária dos Estados Unidos foi enviada para a Venezuela, através da cidade de Cúcuta, na Colômbia. No entanto, a fronteira entre Colômbia e Venezuela está fechada, conforme já denunciou o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

“O povo venezuelano precisa desesperadamente de ajuda humanitária. Os EUA e outros países estão tentando ajudar, mas os militares da Venezuela, sob as ordens de Maduro, estão bloqueando a ajuda com caminhões e containers. O regime de Maduro deve deixar o auxílio chegar às pessoas que estão morrendo de fome”, escreveu Pompeo.

O comboio de ajuda dos Estados Unidos chegou à fronteira na última quinta-feira, 7, aumentando a pressão internacional sobre o governo de Nicolás Maduro, que se recusa a permitir a passagem. O comboio carrega remédios e comida. “Não somos mendigos”, afirma Maduro. A ajuda humanitária foi organizada pelo governo americano e os líderes da oposição da Venezuela.

Diante do impasse, manifestantes se reúnem na entrada da ponte Tienditas, que fica na fronteira entre Colômbia e Venezuela. Com o objetivo de pressionar para que os venezuelanos aceitem a ajuda humanitária, os manifestantes gritam palavras de ordem e pedem “Maduro fora agora” e “ajuda humanitária agora”.

Os manifestantes classificam como “ação covarde” o fechamento da fronteira entre Colômbia e Venezuela. Alguns membros da oposição ao governo de Maduro também ficaram na Colômbia. Os opositores estavam em Cúcuta para ajudar a planejar a entrega da ajuda humanitária.

O governo colombiano, por sua vez, pede que os venezuelanos não vão até à Colômbia para buscar os suprimentos do comboio de ajuda humanitária, pois eles serão distribuídos apenas na Venezuela.

Mesmo com o fechamento da fronteira, os venezuelanos continuaram indo, na última quinta-feira, até Cúcuta para comprar suprimentos básicos, como alimentos e remédios. Estima-se que mais de 50 mil pessoas cruzam a fronteira diariamente, com até 5 mil permanecendo na Colômbia.

Para ajudar os países vizinhos que recebem os venezuelanos migrantes, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um aporte de US$ 738 milhões. No entanto, o pedido só alcançou US$ 5 milhões até o momento. O Plano Regional de Refugiados e Respostas a Migrantes, por outro lado, já destinou US$ 315 milhões para a Colômbia, US$ 117 milhões ao Equador, US$ 106 milhões ao Peru e US$ 56 milhões ao Brasil.

As Forças Armadas venezuelanas têm sido apontadas como um diferencial para Maduro manter o poder no país. O apoio militar tem sido uma das principais disputas internas na Venezuela. Analistas internacionais apontam que, caso o presidente da Assembleia Nacional e autodeclarado presidente interino, Juan Guaidó, conquiste o apoio militar, o governo de Maduro pode chegar ao fim. Porém, até o momento, as Forças Armadas seguem com Maduro.

Guaidó já foi reconhecido, por diferentes países, como Estados Unidos e Brasil e alguns países europeus, como presidente em exercício da Venezuela. O presidente da Assembleia Nacional solicitou apoio internacional para tentar tirar o país da crise humanitária. Enquanto isso, Maduro, que tem o apoio de países como Rússia, Turquia e China, nega que exista uma crise humanitária na Venezuela.

Ao longo de 2018, o sistema econômico da Venezuela atingiu uma inflação de quase 1,7 milhão por cento. A economia venezuelana tem sido atingida desde 2014, quando ocorreu o colapso dos preços mundiais do petróleo. A crise econômica, que resultou em uma crise humanitária, já provocou o êxodo de 3 milhões de venezuelanos.

Na noite da última quinta-feira, Maduro escreveu e direcionou uma carta aberta ao governo norte-americano. No texto, o chefe de Estado venezuelano relembra que é um “homem do povo” e denuncia uma tentativa dos Estados Unidos de “invadir” e “intervir” na Venezuela. “A história de usurpação de poder na Venezuela é tão falsa quanto as armas de destruição no Iraque”.

 

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Fontes:
Al Jazeera-US aid arrives at Colombia border despite Maduro rejection
G1-Ajuda humanitária para a Venezuela chega à fronteira com a Colômbia; ponte continua bloqueada

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