Início » Internacional » Comércio de crianças: uma barreira na adoção internacional
ADOÇÃO INTERNACIONAL

Comércio de crianças: uma barreira na adoção internacional

Em razão das medidas postas em prática em alguns países depois das denúncias de processos ilegais de adoção, poucas famílias conseguem adotar crianças no exterior

Comércio de crianças: uma barreira na adoção internacional
Os casais de países desenvolvidos têm muito mais dificuldade de adotar um bebê em um país pobre (Foto: Wikimedia)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

A década de 1970 assistiu ao crescimento da adoção de crianças guatemaltecas, quando a guerra civil expulsou milhares de pessoas, inclusive muitas crianças, de seus lares. Uma lei aprovada em 1977, que permitiu que os tabeliães preparassem os documentos e registros dos processos de adoção ajudou a fomentar um verdadeiro comércio de crianças. Depois do final da guerra em 1996, o número de adoções internacionais disparou. Milhões de americanos e europeus adotaram supostos órfãos na Guatemala, sem saber que muitos tinham sido roubados de suas famílias.

Nos anos 2000, a “cadeia de suprimento” do país tinha milhares de trabalhadores. Algumas pessoas raptavam ou compravam crianças. As creches improvisadas cheias de berços abrigavam crianças à espera da adoção. Os tabeliães e advogados cobravam uma fortuna para preparar a documentação e as mulheres pobres eram pagas para engravidarem várias vezes. A maioria das crianças adotadas por estrangeiros todos os anos tinha “um perfil específico de acordo com as características da adoção”, observou Rudy Zepeda do Conselho Nacional de Adoção da Guatemala.

Relatos de roubos de bebês eram ignorados. “As pessoas pediam ajuda ao Estado, mas as autoridades muitas vezes eram cúmplices”, disse Laura Briggs, uma historiadora da Universidade de Massachusetts. Em 1997, menos de mil crianças foram adotadas por americanos. Dez anos mais tarde, as adoções por americanos atingiram o número de 5 mil crianças.

Por fim, em 2008, em resposta às greves de fome de mães cujos bebês haviam sido roubados e à pressão da ONU e dos países que recebiam as crianças, a Guatemala interrompeu os processos de adoção internacional. Muitos outros países que “exportavam” crianças tiveram a mesma experiência da Guatemala: um grande aumento no número de adoções; denúncias, no início ignoradas e, em seguida, reconhecidas, do comércio de crianças; a interrupção dos processos de adoção; e, em alguns casos, uma lenta reforma na legalização da adoção. Em consequência das medidas restritivas postas em prática por muitos países, o número de adoções internacionais diminuiu de 45 mil em 2004 para 12.500 em 2015.

Hoje, em razão das restrições, os casais de países desenvolvidos têm muito mais dificuldade de adotar um bebê em um país pobre. Como resultado também das restrições, não há um consenso quanto à importância da adoção internacional como uma tentativa mais ampla para ajudar crianças de países sem recursos. Seus defensores acreditam que é a única maneira de evitar que crianças mais velhas, com problemas graves de saúde ou com muitos irmãos, sejam criadas em uma instituição de caridade. Os críticos, por sua vez, alegam que crianças adotadas em culturas diferentes mais tarde se sentem infelizes por terem perdido suas raízes. Outros veem a adoção internacional apenas como uma medida paliativa para reduzir a pobreza.

Fontes:
The Economist-Home alone

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *