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REGRAS IGNORADAS

Comércio entre China e Coreia do Norte segue mesmo após sanções

Medo de que a pressão econômica das sanções leve norte-coreanos a migrar para China, faz Pequim abrir brechas para o contrabando de carvão, petróleo e piano, proibidos pelas sanções

Comércio entre China e Coreia do Norte segue mesmo após sanções
Por dia, mais de 100 veículos cruzam a ponte que fica na fronteira da China com a Coreia do Norte contrabandeando bens (Foto: cfr.org)

Quando as Nações Unidas anunciaram no início deste mês novas sanções contra a Coreia do Norte em retaliação ao avanço de seu programa nuclear, ficou claro que a medida teria pouco efeito sem a cooperação da China, a maior parceira comercial do país.

Se as transações comerciais são algum indicativo disso, a conclusão é que tal cooperação tem sido, na melhor das hipóteses, ineficaz. O comércio legal e ilegal na fronteira entre os dois países segue sem nenhuma alteração e sem qualquer obstáculo imposto pelas novas regras.

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Uma das regras das novas sanções, a que determina a inspeção de toda a carga que entra ou sai da Coreia do Norte para impedir a entrada de bens cujo comércio foi proibido, simplesmente não é aplicada. Diariamente, mais de 100 veículos cruzam a ponte que fica em Dandong, na fronteira da China com a Coreia do Norte. Muitos deles são caminhões cheios de carga e poucos são inspecionados pelas autoridades chinesas.

A China responde por 90% das transações comerciais norte-coreanas. Metade disso provém de Dandong, cidade chinesa cuja economia está diretamente ligada ao comércio com o país vizinho. Praticamente tudo que mantém a economia norte-coreana passa por essa cidade, incluindo carvão, minério de ferro e petróleo, que foram proibidos pelas novas sanções.

A China e as Nações Unidas trabalharam juntas na elaboração das sanções e ambas concordaram que conter a ameaça nuclear norte-coreana era uma preocupação mútua. Mas embora a China esteja exasperada com as ações de Kim Jong Un, ela está ainda mais preocupada com a possibilidade da instabilidade política e a privação econômica que serão geradas pelas sanções levem milhões de norte-coreanos a cruzar a fronteira e migrar para a China.

Essa preocupação abre brechas para o contrabando de uma variedade infinita de bens comercializados na fronteira. Até mesmo bens de luxo, como pianos, que também foram proibidos por serem usados por Kim Jong Un como moeda de troca para obter apoio e favores da elite norte-coreana.

Fontes:
The New York Times-A Hole in North Korean Sanctions Big Enough for Coal, Oil and Used Pianos

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