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SAÚDE

Como a Cingapura venceu a dengue

Cidade-estado desenvolveu técnicas bem-sucedidas contra o aedes aegypti

Como a Cingapura venceu a dengue
Todos os dias, 850 agentes de inspeção sanitária percorrem as ruas de Cingapura (Foto: gov.sg)

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Localizada no sudeste asiático, a pouco mais de 100 km ao norte da linha do Equador, a Cingapura tem um clima úmido e quente. A média anual de temperatura do país varia pouco, ficando sempre entre 31° e 24°.

Assim como no Brasil, o clima de Cingapura favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, fazendo do país um território fértil para surtos de dengue. Por lá, no entanto, antigas epidemias da doença ensinaram o governo local a desenvolver técnicas que alcançaram grande sucesso em conter o avanço da dengue e manter seu mosquito transmissor sob controle.

A estratégia do governo contra a dengue consiste em um rigoroso programa de monitoramento feito pela Agência Nacional de Meio Ambiente (NEA, na sigla em inglês). Responsável pela vigilância sanitária da cidade-Estado, o órgão trabalha para combater o Aedes aegypti em conjunto com outras 27 instituições públicas e privadas.

Este ano, a campanha de saúde adotou o nome “Do the mozzie wipeout” (algo como, “Faça a limpeza contra o mosquito”). Todos os dias, 850 agentes de inspeção sanitária percorrem as ruas de Cingapura aplicando pesticida em locais que possam servir de desova para o mosquito. Eles também instalam armadilhas chamadas “gravitraps”, que atraem fêmeas do mosquito em busca de um lugar para desova. Através dessas armadilhas, os agentes conseguem monitorar as regiões com mais focos do mosquito, o que permite redobrar os trabalhos no local.

Os agentes também usam um sistema de cores para alertar moradores sobre a incidência de casos de dengue e a presença de focos do mosquito: o sinal verde indica uma vizinhança livre da dengue; o amarelo indica que foram registrados casos de dengue no bairro; já o vermelho alerta que mais de 10 casos da doença foram registrados na região. A campanha do governo também conta com um vídeo bem-humorado, feito para incentivar a participação de todas as famílias no combate ao mosquito.

Os agentes da NEA têm permissão para entrar nas residências sem a necessidade de autorização judicial e podem emitir pesadas multas a um morador, caso sejam encontradas larvas ou ovos do mosquito em sua casa. No caso mais grave, a pessoa pode ir para a cadeia. Canteiros de obras também são alvos de inspeção. Caso não tomem medidas contra o mosquito, a construção pode ser embargada.

Apesar de bem-sucedida, a prática é difícil de ser replicada em países como o Brasil, por conta do vasto território. O governo brasileiro, no entanto, vem investindo em uma técnica pioneira que também é estudada pelo governo de Cingapura.

A técnica consiste em inserir no organismo do mosquito uma bactéria chamada wolbachia. A ação da bactéria impede o mosquito de transmitir em suas picadas vírus como o da dengue. Em entrevista à BBC Brasil, Scott O’Neil, autor da técnica e professor da Universidade Monash de Melbourne, Austrália, disse que o método é promissor no combate a doenças transmitidas por mosquitos.

“Já estamos testando essa tecnologia em cinco países. Sabemos que ela funciona igualmente para dengue, chikungunya e zika e, inclusive, para parasitas da malária e da febre amarela”, disse O’Neil.

Confira abaixo o vídeo da campanha “Do the mozzie wipeout”:

Fontes:
BBC-Como Cingapura venceu o mosquito Aedes aegypti – e por que é tão difícil outros países fazerem o mesmo

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1 Opinião

  1. Jorge Hidalgo disse:

    Desculpem-me mas quando dizem que as práticas de combate ao mosquito da dengue são difíceis de serem replicadas no Brasil, por conta do vasto território, deveriam dizer por conta da nossa estupidez, ignorância e falta de educação, não é????

    Agora que o tal do “aedes aegypti” não transmite “apenas” dengue, mas também o terrível “zika” vírus, vamos ver como nos custa caro sermos tão preguiçosos…

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