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Direito da mulher

Como coibir o assédio a mulheres na rua

Existiriam meios para impor sanções legais à quebra de normas supostamente morais?

Como coibir o assédio a mulheres na rua
Hollaback! e outros ativistas querem eliminar o assédio de rua (Reprodução/Youtube)

“Sou abordada com insistência por homens brancos, negros e latinos quando sorrio ou se fico séria. Ouço comentários indesejáveis todos os dias”, disse Shoshana Roberts, o tema de um vídeo muito discutido sobre assédio na rua produzido pela organização sem fins lucrativos Hollaback!. O vídeo, “10 Hours of Walking in NYC as a Woman”, registrou mais de cem exemplos de assédio verbal: “Como você está hoje?” “Sorria!” “Oi, minha linda.” “Se eu lhe der meu número, você me liga?”

O vídeo com dois minutes de duração foi um sucesso total. Muitas mulheres identificaram-se com a história de Shoshana Roberts. O assédio na rua é um fato comum, sobretudo nas cidades, e algumas mulheres sentem-se ameaçadas, com a lembrança diária de sua vulnerabilidade. Para evitar essa abordagem desagradável, muitas mulheres mudam seus caminhos habituais, comportamento, meios de transporte ou estilo de vestir. Hollaback! e outros ativistas querem eliminar o assédio de rua, com o argumento que é mais uma das provas da desigualdade entre homens e mulheres (um problema discutido em um relatório recente do Fórum Econômico Mundial). Mas existiriam meios para impor sanções legais à quebra de normas supostamente morais?

Na página de artigos de opinião do New York Times, Laura Beth Nielsen, professora de sociologia e diretora do Centre for Legal Studies da Universidade Northwestern, sugeriu elaborar uma lei para proibir o assédio de rua. Essa lei, segundo Nielsen, seria coerente com os princípios da primeira emenda da Declaração dos Direitos Humanos, que condena o discurso que intimida, ofende e perpetua a desigualdade. Assim, o assédio de rua seria considerado um ato físico e psicológico que intimida, exclui, subordina e fortalece a predominância do homem em relação à mulher.

O assédio de rua é uma forma de intimidação sexual, mas proibir um homem de dizer “Olá, como você é linda”, abriria um precedente perigoso de censura à liberdade de expressão. Nessa ótica, qualquer comentário indesejado ou sugestivo seria visto como ofensivo. Mas, como o vídeo do Hollaback! mostra, os comentários não eram apenas “elogiosos” como alguns homens alegaram. Eles tinham sem dúvida uma intenção sexual, porém os avanços sexuais não são punidos por lei.

Mas como as mulheres podem reagir? É um terreno perigoso. Em outubro uma jovem de 27 anos foi assassinada por ter se recusado a dar o número de telefone a um estranho, que a abordou; no Queens um homem cortou a garganta de uma mulher por ter recusado seu convite para sair. Shoshana Roberts concordou em fazer o video da Hollaback! porque o limite de sua tolerância se esgotara. Depois do sucesso do vídeo, ela recebeu ameaças de estupro e morte, pela simples razão de ter mostrado ao mundo que as mulheres têm o direito de serem femininas e de saírem às ruas sem serem importunadas.

Veja o vídeo:

Fontes:
The Economist-Can decency be regulated?

2 Opiniões

  1. Victor Ivens disse:

    Vejo isso como uma questão comportamental, bem semelhante aos chicletes que as pessoas costumam jogar na rua. Uma maneira de coibir é fazer um ato semelhante ao que foi feito em um metro, salvo engano em nova york, onde, para coibir as pessoas de jogarem lixo no chão, filmava essas pessoas realizando esses atos e exibia em telões espalhados pela estação. Esse próprio vídeo da Shoshana já é uma forma expor e conscientizar os homens.

    Entretanto o outro lado da moeda é que as pessoas estão ficando cada vez menos sociáveis. Os homens mais informados já pensam duas vezes antes de conversar com uma mulher com medo de serem acusados de assédio sexual, tanta a exposição desse tipo de feminismo.

  2. Cesar disse:

    Fica a dúvida…
    Como coibir o assédio a mulheres na rua?

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