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ACIDENTES AÉREOS

Como evitar colisões entre aviões e drones?

Necessidade de desenvolver uma tecnologia mais inteligente e melhores regras para manter drones e aviões afastados está se tornando urgente

Como evitar colisões entre aviões e drones?
O perigo representado por outros aviões é agora, sem dúvida, superado pelos drones (Foto: Pixabay)

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Poderia ter sido um dos piores desastres de aviação da história. Em agosto do ano passado, apenas uma intervenção de última hora impediu um avião da Air Canada de pousar em cima de quatro aviões que estavam alinhados em uma pista de decolagem no aeroporto de São Francisco, nos Estados Unidos. O avião que pousava, que havia confundido a pista de pouso com uma pista de decolagem, errou por pouco os aviões no chão.

Passageiros assustados por histórias de aviação devem se concentrar, talvez, no fato de que o acidente não aconteceu. Na verdade, as pessoas são mais propensas a morrer engasgado com um pretzel ou se afogar no banho do que morrer em um acidente de avião. Com uma taxa de apenas um acidente fatal para cada 16 milhões de passageiros, 2017 foi o ano mais seguro para viagens aéreas. Como isso se tornou tão seguro? E continuará assim no futuro?

No início da década de 1920, os aviões voavam com pouca ajuda de navegação. Os pilotos perdidos simplesmente desciam para ler os sinais nas estações de trem. Alguns contavam com sinais de mãos, bandeiras ou gigantescas hastes de concreto no chão para mostrar onde pousar. Em 1935, com os pilotos agora capazes de se comunicar através dos rádios da cabine de comando, o governo americano apoiou a primeira instalação de controle de tráfego aéreo a regular os céus em Newark, em Nova Jersey. A invenção do radar, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, trouxe ainda mais mudanças, permitindo que os controladores de tráfego aéreo determinassem a posição das aeronaves em todos os momentos.

A próxima série de medidas de segurança foi bem mais recente. Desde 1993 e 2000, na América e na Europa, respectivamente, é obrigatório que os aviões que transportam 19 ou mais passageiros tenham um Sistema Anticolisão de Tráfego (TCAS). Isso se comunica com os transponders – aparelho que emite e recebe mensagens de identificação – de aviões próximos para determinar seu rumo, velocidade, distância e altitude relativa. Ao avistar um avião que está se aproximando demais, o TCAS emite um aviso para ambos os pilotos e recomenda uma manobra evasiva, como subir ou descer, em coordenação com o sistema do outro avião. O sistema, no entanto, é muito caro para aviões pequenos e não pode ser instalado sem uma remodelagem. Por isso, utilizam a Vigilância Dependente Automática por Radiofusão (ADB-S), uma alternativa mais acessível que usa um sistema de posicionamento global baseado em satélite para detectar objetos voadores.

O perigo representado por outros aviões é agora, sem dúvida, superado pelos drones. Um relatório recente da Federal Aviation Administration (FAA) dos Estados Unidos estimou que os drones civis passam por diferentes tipos de aviões cerca de 250 vezes por mês. Embora leves, eles são capazes de prejudicar o motor, a asa ou o para-brisa de um avião. O último incidente desse tipo ocorreu em novembro de 2017, quando um drone em Buenos Aires atingiu um avião que transportava 121 passageiros, causando pequenos danos à sua fuselagem.

Drones equipados com ADB-S de baixa potência seriam mais capazes de evitar aviões e uns aos outros. Outros desafios permanecem. Embora os regulamentos da FAA impeçam que os drones voem perto dos aeroportos, alguns operadores ignoram essas regras e outros simplesmente não reparam no distanciamento. O governo britânico pensa em aprovar um projeto de lei que regule o uso de todos os drones que pesam 250g ou mais. A necessidade de desenvolver uma tecnologia mais inteligente e melhores regras para manter drones e aviões afastados está se tornando urgente.

Fontes:
The Economist-How aircraft avoid mid-air collisions

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