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A eleição italiana

Como Grillo e Berlusconi ameaçam o futuro da Itália e do euro

A enorme fatia de votos recebidos por Berlusconi e Grillo e o fraco desempenho de Monti nas urnas mostram uma Ítália que se recusa a implementar mudanças

Como Grillo e Berlusconi ameaçam o futuro da Itália e do euro
O comediante Beppe Grillo conquistou 25% dos votos, enquanto o temido Berlusconi conseguiu um apoio de 30% da população (Reprodução/AP)

Manter o senso de humor em face das adversidades pode ser interessante, mas nem sempre é útil. Confrontado pela pior recessão do país desde a década de 1930 e pela possível implosão da moeda única europeia, o povo italiano resolveu evitar a realidade. Na eleição que ocorreu nessa semana, um quarto do eleitorado – um recorde pós-guerra – nem mesmo se importou em comparecer. Dentre aqueles que o fizeram, quase 30% endossaram Silvio Berlusconi, cuja ruinosa administração como um primeiro-ministro picaresco é a principal causa das agruras econômica italianas. E outros 25% votaram no Movimento Cinco Estrelas, liderado por um comediante de verdade, Beppe Grillo. Em contraste, Mario Monti, o tecnocrata reformista que liderou a Itália nos últimos 15 meses e recuperou boa parte da comprometida credibilidade do país, recebeu apenas 10% dos votos.

Esse resultado é um desastre tanto para a Itália como para a Europa. Em Roma, a coalização de centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani, o favorito das pesquisas pré-eleição que acabou recebendo apenas pouco mais de votos que Berlusconi, agora está batalhando para conseguir compor um governo: é improvável que este seja duradouro ou estável. Enquanto isso, os mercados financeiros por toda a Europa desabaram devido a essas notícias. Houve queda de ações em quase todos os países. Títulos de dívidas nacionais dispararam nospaíses do Mediterrâneo, para níveis vistos pela última vez há três meses, ainda que tenham caído na Alemanha, o que trouxe a crise do euro novamente para ocentro do palco.

Com efeito, o perigo é menos de dissolução que de estagnação. Esta foi a semana, é possível que a história venha a concluir, em que os europeus deixaram claro que nãoestão interessados em reformas. Nove meses depois de os franceses terem rechaçado uma mudança, os italianos a excomungaram. Dois terços dos italianos rejeitaram não apenas a austeridade imposta pelos alemães, como também todo o programa concebido para melhorar o lúgubre histórico de crescimento quase zero de sua economia. Seguir esse caminho leva à paralisia econômica e ao declínio político que o Japão tem sofrido nos últimos 20 anos.

A ironia é que ambos os palhaços italianos acertaram quanto a uma coisa. Grillo estavacerto quantos aos políticos italianos corruptos e com salários obscenos. Berlusconi tinha razão ao dizer que apenas a austeridade não resolverá a crise europeia. No entanto, isso não quer dizer que os italianos possam ignorar esse problema. Caso continuem a se recusarem a implementar reformas, a realidade tratará de desiludi-los. Seja lá o que os palhaços estão dizendo, isso não é engraçado.

Fontes:
The Economist-Send in the clowns

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1 Opinião

  1. olbe disse:

    A Itália sofre do mesmo mal que o Brasil: não tem candidatos à presidência.E como no brasil , não sdabem votar e não querem aceitar um período de austeridade, sem isto não vão sair do buraco. Milagres não existem sem o sacrifício de uma geração, é só ler a história. Pobre povo que ainda vota em Berluscone…

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