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LITERATURA

Como Jane Austen se transformou em um ícone literário?

No bicentenário de morte da escritora britânica, entenda como suas obras ganharam o mundo

Como Jane Austen se transformou em um ícone literário?
Acredita-se que apesar de ter sido pedida em casamento, a escritora preferiu ficar sozinha mesmo que financeiramente sem muitas condições (Foto: Wikimedia)

Neste mês é celebrado o bicentenário de morte de Jane Austen. Nascida em 16 de dezembro de 1775, ela tinha sete irmãos. Com poucas condições financeiras, frequentou a escola por pouco tempo, e estudou sozinha na biblioteca do pai. Acredita-se que apesar de ter sido pedida em casamento, a escritora preferiu ficar sozinha mesmo que financeiramente sem muitas condições. Ela escreveu seis romances, dois deles só foram publicados após sua morte. Apesar de demonstrar perspicácia empresarial ao lucrar com os direitos autorais de seus romances, sua família dizia que ela escrevia por prazer e não por dinheiro.

Como Austen se transformou em uma das escritoras mais conhecidas do Reino Unido? Ela é considerada inovadora em seus romances. Suas histórias derivam do cotidiano e seu jeito único mistura o realismo com um novo estilo narrativo, que alterna entre a voz do narrador e os pensamentos dos personagens. Desta forma, o leitor pode pensar e se sentir exatamente como um personagem ao mesmo tempo em que poderia analisar de forma crítica vários pontos de vistas.

No início do século XX, o movimento sufragista considerou Austen como um de seus ícones. Os romances dela chegaram a ser indicados para soldados em estado de choque depois da guerra. Winston Churchill, por exemplo, achou reconfortante reler “Orgulho e Preconceito”.

Mas foi nos anos 1990, que a mania de Jane Austen alcançou novos patamares, graças a adaptações televisivas e cinematográficas. As adaptações tiravam muito do poder da narrativa de Austen e sexualizavam o conteúdo.

Mesmo assim, o trabalho de Austen ganhou o mundo, passando pela Europa, Ásia e América Latina. A questão da reputação e da posição social e econômica da mulher são temas fáceis de adaptar em diversos contextos culturais.

Os leitores ocidentais podem não mais se identificar com a urgência em torno do casamento retratada em suas obras nem com o fato dos casamentos serem impedidos por questões financeiras. No entanto, 200 anos depois, as observações provocantes sobre a vaidade e a tolice humana ainda alcançam seu objetivo com sucesso.

Fontes:
The Economist-Jane Austen, 200 years on

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1 Opinião

  1. Lucinda Telles disse:

    O melhor de Jane Austen é a capacidade de colocar o leitor “dentro” do romance, mesmo nas versões traduzidas.

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