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Como lançamentos de foguetes afetam a aviação

Cada zona de exclusão aérea criada pelo lançamento de um foguete custa entre US$ 10 mil e US$ 30 mil por voo às companhias aéreas

Como lançamentos de foguetes afetam a aviação
Um lançamento em fevereiro causou o atraso de 563 voos (Foto: Jerry Cannon/Nasa)

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Sempre que algum tipo de foguete é lançado, é criada uma espécie de zona de exclusão aérea temporária. Isso faz com que os aviões precisem desviar do local para evitar possíveis acidentes, o que acarreta em mais tempo de voo e mais dinheiro gasto com combustível pelas companhias aéreas. Por fim, impacta financeiramente o setor de aviação.

Segundo um novo estudo da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle, cada zona de exclusão aérea criada custa entre US$ 10 mil e US$ 30 mil por voo às companhias aéreas. O valor só diz respeito ao combustível gasto para a mudança de trajetória. Ademais, as viagens ficam mais longas e, por vezes, ocorrem atrasos nos voos.

Isso pode parecer pouco tendo em vista a arrecadação do setor de aviação. No entanto, em fevereiro, por exemplo, quando ocorreu o lançamento do foguete Falcon Heavy, da SpaceX, 563 voos foram atrasados. Os atrasos tiveram, em média, oito minutos. Cada voo precisou fazer quase 100 quilômetros a mais para contornar a zona de exclusão.

Segundo um comunicado da Airlines for America (A4A) – grupo que representa a maioria das empresas aéreas americanas -, os lançamentos dos foguetes resultam em “aviões parados no chão, mais queima de combustível e mais tempo de voo para os passageiros”.

Por enquanto, os passageiros são pouco afetados por essa relação – normalmente, apenas os voos se tornam um pouco mais extensos. No entanto, caso nenhuma solução seja pensada, futuramente aqueles que comprarem passagens de avião podem sentir a diferença no bolso.

“Se, por algum motivo, os custos começarem a subir para as companhias aéreas, é claro que caberia às companhias aéreas lidar com esses custos ou repassá-los aos consumidores”, apontou o engenheiro espacial Rodrigo Firmo, que participou do estudo.

Essa questão já causa muitos problemas atualmente, mas a tendência é que, caso uma solução não seja encontrada, o imbróglio se alastre. Isso porque, enquanto no ano de 2018 são esperados que 4 bilhões de passageiros em viagem de avião, em 2036 o número quase dobra, passando para 7,8 bilhões.

Paralelamente a isso, também é esperado que o número de decolagem de foguetes também aumente. Em 2017 ocorreram 29 lançamentos orbitais nos Estados Unidos. Até o ano de 2027, a previsão é uma média de 42,3 lançamentos anuais. A cada ano que passa, mais espaçoportos estão surgindo – o Reino Unido já anunciou que construirá o seu primeiro em Sutherland, na Escócia.

Dessa forma, em nove anos cada decolagem pode custar até US$ 200 mil às companhias aéreas, enquanto até 2037 esse valor pode subir para US$ 300 mil. Sendo assim, é urgente que as companhias aéreas e o setor aeroespacial consigam pensar em soluções para a questão.

Alternativas

Como não é possível dirigir um foguete, desviando-o de direção, sempre cabe ao setor de aviação mudar a trajetória. No entanto, a Administração Federal de Aviação (FAA) tem testado novas tecnologias que possam otimizar essa relação.

O Space Data Integrator (SDI) é uma delas. Ele está sendo projetado para transmitir dados, em tempo real, sobre a trajetória de um foguete no espaço de tráfego aérea da FAA. Esses dados seriam acessados pelos controladores de tráfego aéreo, otimizando o percurso.

“Também pode nos ajudar a liberar o espaço aéreo bloqueado mais rapidamente, para que fique disponível para os outros usuários do sistema”, explicou Michael Huerta, administrador da FAA, durante uma conferência ocorrida em 2017. As novas medidas para o tráfego aeroespacial devem ser apresentadas até fevereiro de 2019.

 

Leia também: Foguetes transformaram o espaço em depósito de detritos

Fontes:
CNN-Rocket launches cost airlines money and travelers precious time

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