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Morte de procurador argentino

Como o caso Nisman repercute no Irã e em Israel

No Irã, morte de procurador é vista como complô israelense para impedir acordo nuclear. Para Israel, caso é exemplo do alcance do terrorismo iraniano

Como o caso Nisman repercute no Irã e em Israel
Até agora ninguém foi responsabilizado pelas mortes na associação israelita AMIA (Reprodução/AFP)

No Irã, a morte do procurador argentino Alberto Nisman, responsável pela investigação do atentado terrorista ao centro comunitário israelita AMIA, em 1994, é apresentado como um complô do Mossad, a agência de inteligência israelense, para denegrir a imagem do Irã frente a um possível acordo com o Ocidente sobre seu programa nuclear.

Leia mais: Cristina Kirchner muda o discurso quanto à morte de Nisman

Em Israel, onde o Ministério das Relações Exteriores expressou seu “profundo pesar sobre as circunstâncias trágicas” da morte do procurador e o elogiou como “um lutador destemido pela Justiça”, sua morte é tida como mais uma prova do alcance insidioso do Irã, amplamente denunciado como um Estado patrocinador do terrorismo ao redor do mundo.

Nisman tinha formalmente acusado Cristina Kirchner, a presidente da Argentina, de tentar encobrir o suposto papel do Irã no bombardeio da AMIA, que matou 85 pessoas, o pior ataque terrorista da história da Argentina. O procurador apresentaria o caso, fruto do trabalho de uma década de investigações meticulosas, no dia em que foi encontrado morto dentro do banheiro de seu apartamento, com um tiro na cabeça.

Na Argentina, as suspeitas de envolvimento do governo na morte do procurador são alimentadas por declarações incoerentes da presidente Cristina Kirchner, que ora diz que Nisman se matou, ora que ele foi usado e assassinado pela oposição. O juiz Ariel Lijo, que acusou o vice-presidente Amado Boudou de suborno no ano passado, está estudando o caso em meio a pedidos para uma equipe de investigação externa assumir a investigação.

Talvez a maior incógnita, por enquanto, é o que Cristina Kirchner fará a seguir. Seu estilo beligerante de governar por confronto poderia agravar a situação e complicar ainda mais as eleições presidenciais de outubro, das quais ela não pode participar.

O triste fato é que, mais de 20 anos depois do atentado, ninguém foi responsabilizado pelas mortes no AMIA. Pior, os acontecimentos recentes tendem a colocar a verdade e a Justiça ainda mais longe do alcance dos argentinos.

 

Fontes:
Financial Times - Argentina: the strange death of Alberto Nisman
Haaretz - Argentine prosecutor's death: The latest act in the Iran-Israel saga

1 Opinião

  1. Revoltado disse:

    Gente… precisa desenhar?? Alguma dúvida que o governo argentino o assassinou, direta ou indiretamente??? O povinho argentino nada faz, porque lá como aqui, somos um bando de inúteis, incapazes de agir como HOMENS.

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