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Como proteger a Capela Sistina das multidões de turistas?

As multidões de turistas são uma excelente fonte de renda, mas, ao mesmo tempo, causam grandes problemas

Como proteger a Capela Sistina das multidões de turistas?
Capela Sistina, em Roma (Fonte: Reprodução/Rex Features)

A Capela Sistina, em Roma, é um dos lugares mais sagrados do mundo cristão, o local onde inúmeros papas foram eleitos em conclaves secretos ao longo dos séculos. É também um lugar de grande visitação pública. Os museus do Vaticano (dos quais a capela é, para muitos, a joia da coroa) atraíram um número recorde de 5,89 milhões de visitantes em 2014, um público semelhante ao do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, um espaço quase cinco vezes maior. As multidões de turistas são uma excelente fonte de renda, mas, ao mesmo tempo, causam grandes problemas.

Atualmente, o número de pessoas que visita a Capela Sistina é quatro vezes superior aos visitantes em 1980; nos dias de movimento mais intenso a capela recebe a visita de mais de 25 mil pessoas por dia. A emissão de gás carbônico (C02), o suor dos corpos dos visitantes e a poeira que trazem da rua afetam os afrescos do período renascentista de Michelangelo, Botticelli e outros mestres do Renascimento. Em 2010, a pedido das autoridades do Vaticano, uma equipe de especialistas examinou as condições de preservação do acervo iconográfico da capela; além de a capela só ter um sistema de controle de temperatura projetado para receber menos da metade dos visitantes, os especialistas também detectaram “altos” níveis de CO2 em dias de mais movimento, o que danifica as pinturas. Ao longo do tempo, com a emissão de CO2, surgiram áreas brancas na parede ao sul da capela, logo abaixo dos famosos afrescos “As Provações de Moisés”.

O Vaticano já adotou uma série de medidas para solucionar, ou pelo menos, minimizar o problema. Em outubro de 2014, Antonio Paolucci, o ex-ministro da Cultura da Itália e atual diretor dos museus do Vaticano, investiu € 3 milhões na instalação de um novo sistema de controle de temperatura e de iluminação, pagos com recursos dos fabricantes dos equipamentos. O Vaticano também tem planos de construir um pavilhão virtual da Capela Sistina, para diminuir o tempo de permanência dos turistas no espaço físico. Ainda se discute se seria uma réplica em tamanho real ou uma simulação digital. Para a visitação virtual, Paolucci pensa na hipótese do uso de óculos inteligentes, a exemplo do Google Glass, para que os visitantes tenham uma visualização em 3D do pavilhão.

Fontes:
The Economist - Vatican Museums: Full to bursting

3 Opiniões

  1. Margarida Castanheira disse:

    Visitei os museus do Vaticano e a Capela Sistina no dia 11 de julho de 2016. Fiquei chocada com o presenciei e vivi durante as 5 horas que lá estive. Posso dizer que não foi possível apreciar praticamente nenhuma das obras lá existentes. Além de mim estavam milhares de pessoas todas suadas e encostadas umas às outras a empurrarem-se no sentido da Capela Sistina. A temperatura na maioria das salas rondava os 35 graus. Considero inconcebível não existir ar condicionado em nenhuma das salas (exceto na Capela Sistina). O ar era irrespirável, continha decerto níveis elevadíssimos de dióxido de carbono o que a juntar à elevada temperatura e a outras moléculas libertadas pela multidão causava náuseas mesmo aos mais resistentes.
    Mas o pior de tudo é imaginar este ambiente repetido quase 365 dias por ano. Duvido que os afrescos de Michelangelo, Rafael, Botticelli e de outros mestres do Renascimento resistam por muitos mais anos. Será que as autoridade competentes do Vaticano apenas concebem estas relíquias apenas como uma excelente fonte de verbas e não conseguem tomar medidas de proteção de um património que é da humanidade?

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    E eu pensando que o problema fosse o vandalismo de turistas mal educados, deixando “inscrições para a posteridade” do tipo “fulano de tal esteve aqui!”… Caramba!, o CO2 da respiração de milhares de turistas por dia pode prejudicar os afrescos!
    Espero que encontrem, logo, um recurso que proteja as pinturas renascentistas da Capela do CO2, suor e poeira que os turistas involuntariamente trazem… Seria uma pena limitar a apreciação dessas obras de arte a um ambiente virtual, como o proposto. Tal experiência nunca teria o mesmo “sabor”!

  3. Vitafer disse:

    Certamente, no meio dos turistas, deve ter muita gente com bafo de onça.

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