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TRABALHAM SOZINHOS?

Computadores se tornaram autônomos?

Apesar do progresso da inteligência artificial os seres humanos ainda dominam as máquinas e impõem suas regras

Computadores se tornaram autônomos?
O rápido aprendizado permite que os computadores adaptem os programas às tarefas (Foto: Wikimedia)

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Uma antiga piada nas companhias de aviação diz que a tripulação ideal de voo é um computador, um piloto e um cachorro. O computador pilota o avião, enquanto o piloto alimenta o animal. E a função do cachorro é morder o piloto caso tente tocar no computador.

Delegar tarefas complexas aos computadores não é uma novidade no mundo digital. Mas um recente progresso no aprendizado de máquina, um subcampo da inteligência artificial (IA), aumentou a capacidade de utilização de computadores em novas áreas como diagnósticos médicos, reconhecimento facial e carros autônomos, em que as máquinas interpretam os dados enviados pelos radares e sensores do trânsito.

O aprendizado de máquina permite que os computadores adaptem seus programas à tarefa a ser realizada. Quando os algoritmos estão lidando com tarefas triviais, como jogar xadrez ou recomendar um filme ao usuário, essa “caixa preta” é inócua.

Mas em decisões subjetivas que exigem um maior grau de reflexão, como concessão de empréstimos, julgamento se um detento pode terminar sua sentença em liberdade condicional, ou instruções de como dirigir um carro em uma cidade com excesso de veículos, a capacidade decisória de um computador nem sempre é precisa. E, em caso de erros, inevitáveis mesmo nos melhores sistemas computacionais, os clientes, órgãos reguladores e tribunais questionarão o motivo.

Por isso, na opinião de Mounir Mahjoubi, secretário de Estado de Economia Digital da França, o governo não deve usar algoritmos cujas decisões não possam ser explicadas. Mas essa é uma atitude intransigente diante de problemas que podem ser solucionados.

A sociedade tem muita experiência em lidar com caixas pretas problemáticas, entre elas a complexidade do ser humano. Acrescentar novos problemas será um desafio, mas não intransponível. Em resposta às deficiências dos seres humanos, a sociedade desenvolveu uma série de mecanismos de defesa, como leis, regras e regulamentos. Com adaptações, muitos desses mecanismos podem ser aplicados às máquinas. Afinal, os seres humanos ensinam as máquinas a “pensar” e, portanto, ainda as dominam.

Fontes:
The Economist - Humans may not always grasp why AIs act. Don’t panic

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