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CHINA

Condenação de ativistas ameaça estado de direito de Hong Kong

A China ameaça o estado de direito de Hong Kong com a condenação dos líderes da Revolução dos Guarda-Chuvas

Condenação de ativistas ameaça estado de direito de Hong Kong
Jovens foram condenados a sentenças de seis a oito meses de prisão (Foto: Flickr)

“Podem prender nossos corpos, mas não as nossas mentes!”, escreveu Joshua Wong um ativista pró-democrata de Hong Kong em sua conta no Twitter, pouco depois de ser preso junto com dois amigos em 17 de agosto por terem participado nas manifestações da Revolução dos Guarda-Chuvas, em 2014. Indignadas, milhares de pessoas protestaram nas ruas contra a arbitrariedade do governo. O silêncio do Ocidente, sobretudo a indiferença do Reino Unido em relação à sua antiga colônia, é lamentável.

A população de Hong Kong, uma região administrativa especial da China, tem motivos para se preocupar. Embora não seja uma democracia em seu sentido pleno, seus cidadãos usufruem de uma liberdade civil e política bem maior do que na China e sua reputação depende em grande parte de um sistema judiciário rigoroso e imparcial. Por isso, tantos estrangeiros escolhem viver e investir em Hong Kong. Qualquer restrição ao estado de direito ameaça a prosperidade de Hong Kong, bem como a credibilidade da China, que prometeu respeitar seus direitos civis e políticos nas negociações de devolução da ex-colônia britânica em 1997.

No governo do presidente Xi Jinping a China adotou medidas mais rigorosas para reprimir a dissidência em Hong Kong. A Revolução dos Guarda-Chuvas, em que milhares de jovens bloquearam as ruas movimentadas da cidade durante semanas em protestos pró-democracia, preocupou o governo chinês.

Os três jovens com 20 e poucos anos, condenados a sentenças de seis a oito meses de prisão, lideraram os protestos de 2014. No ano passado, dois deles foram condenados a cumprir uma pena de prestação de serviço à comunidade por entrarem em um prédio do governo durante as manifestações. O terceiro teve uma suspensão condicional de pena por ter apenas instigado outros manifestantes a segui-los. Mas o governo de Hong Kong não ficou satisfeito com o veredicto e entrou com um recurso de apelação da sentença pedindo a prisão dos três jovens.

É impossível afirmar se os juízes cederam à pressão do governo. Porém, segundo o Partido Comunista Chinês, os três jovens são ativistas perigosos, que fazem parte do movimento separatista que se fortaleceu durante os protestos de 2014. Por esse motivo, é bem provável que as autoridades de Pequim tenham pressionado Hong Kong a aplicar penas mais duras. Os três receberam também penas acessórias que os impedem de se candidatar a cargos políticos por cinco anos.

Fontes:
The Economist-China is threatening the rule of law in Hong Kong

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