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Pena capital

Condenados à morte nos EUA são inocentes em 4% dos casos, diz pesquisa

De acordo com especialistas, má conduta dos promotores, que só pensam em vencer, é a maior culpada pela injustiça com os réus

Condenados à morte nos EUA são inocentes em 4% dos casos, diz pesquisa
Desde 1973, estima-se que 152 pessoas foram condenadas à morte injustamente nos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Internet)

Por mais que os americanos tenham opiniões discordantes em relação à pena de morte, ninguém quer ver um inocente ser executado. No entanto, com alguma frequência, pessoas vão para o corredor da morte condenadas por crimes que não cometeram. Alguns têm a sorte de ser libertados antes da execução, porém o clube dos inocentes que são mortos vem crescendo de forma assustadora. Estima-se que sejam 152 desde 1973.

Dos que não chegam à execução, alguns ficam presos por anos, enquanto outros morrem de causas naturais. Há pelo menos dois casos documentados de réus que eram claramente inocentes e que foram condenados à morte nos EUA.

Quantas pessoas inocentes tiveram o mesmo destino ou estão a caminho dele? Nunca haverá um número exato. Porém, nos últimos 42 anos, a cada três meses, um preso é exonerado do corredor da morte nos EUA. De acordo com pesquisas, 4% dos condenados estão lá injustamente. Essas informações reforçam as críticas à punição, tanto em relação a sua eficácia na redução da criminalidade quanto aos erros de sua aplicação.

Inocentes são condenados por diferentes motivos, incluindo a incapacidade de seus advogados, erros de identificação e falsos testemunhos. Porém, avanços na análise de DNA têm acelerado o ritmo das exonerações e têm deixado claro que a má conduta da promotoria é uma das principais culpadas pelo número alarmante de condenações.

Em 2014, nove pessoas que estavam no corredor da morte foram libertadas, e na maioria dos casos houve transgressão dos promotores.

Tudo pela vitória

O julgamento mais recente é de Anthony Ray Hinton, que saiu de uma prisão no estado de Alabama no dia 3 de abril, após passar 30 anos, metade da sua vida, encarcerado. Em seu caso, a promotoria insistiu na condenação mesmo com provas questionáveis e com relatórios de especialistas refutando a culpa de Hinton.

A questão que fica é: por que isso acontece? Em uma carta publicada no mês passado pelo The Shreveport Times, um ex-promotor do tribunal de Louisiana, AM Stroud III, explicou o motivo. De acordo com ele “ganhar tornou-se tudo” e por isso os promotores usam qualquer artifício para não perder um processo.

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