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ESCALADA DE VIOLÊNCIA

Conselho de Direitos Humanos da ONU convoca reunião para discutir situação palestina

Segundo o órgão, o encontro visa debater ‘a deterioração dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados’

Conselho de Direitos Humanos da ONU convoca reunião para discutir situação palestina
Reunião ocorre em meio à escalada de violência na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel (Foto: piczard)

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O Conselho de Direitos Humanos da ONU convocou para a próxima sexta-feira, 17, uma reunião de emergência para discutir “a deterioração dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados”.

A reunião se dá em meio à preocupação acerca da escalada de violência na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, onde 60 palestinos foram mortos no último dia 14 por tropas israelenses durante uma onda de protestos chamada “A Grande Marcha do Retorno”, na qual manifestantes palestinos reivindicam o direito de retornar aos territórios que perderam após a criação do Estado de Israel.

A ação do conselho se dá um dia após o Tribunal Penal Internacional, órgão que julga responsáveis por crimes de guerra, divulgar um comunicado expressando “grave preocupação” em relação à situação palestina. “Qualquer possível crime cometido no contexto da situação poderá ser submetido ao escrutínio oficial do órgão. Isso se aplica aos eventos de 14 de maio de 2018 e a qualquer incidente futuro”, informou o comunicado.

A embaixadora de Israel em Genebra, Aviva Raz Shechter, criticou a convocação de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão há anos acusado de antissemitismo por EUA e Israel. Em uma postagem no Twitter, Shechter escreveu que a reunião “recompensa a estratégia terrorista do Hamas [movimento palestino que controla a Faixa de Gaza] e a sua utilização de escudos humanos para promover as suas atividades terroristas” contra israelenses.

Os protestos na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel tiveram início em 30 de março e determinavam manifestações todas as sextas-feiras no local até o dia 15 de maio. Desde então, mais de 100 palestinos foram mortos pelas forças israelenses e 2.771 ficaram feridos, segundo o Ministério da Saúde palestino.

Países pedem por investigação independente das mortes

A dura repressão das tropas israelenses gerou uma onda de críticas internacionais a Israel em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU na última terça-feira, 15. No encontro, o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, que estava em Jerusalém, mas participou por meio de videoconferência, alertou para a violência na região e criticou a abordagem de Israel. “Não há desculpa para os assassinatos. A raiva da população, se não se canaliza de maneira construtiva, levará a mais destruição”, disse Mladenov.

O representante do Reino Unido no conselho, o embaixador Karen Pierce, disse reconhecer o direito de defesa de Israel, mas apoiou uma investigação independente em relação à conduta das tropas israelenses. “O volume de munição usado não se pode ignorar”, disse o embaixador.

Opinião similar teve o embaixador francês François Delattre, que alertou que a situação está “muito próxima de uma tempestade perfeita”. “Condenamos os disparos indiscriminados contra manifestantes”, disse Delattre.

A embaixadora americana Nikki Haley se posicionou em defesa de Israel, afirmando que o governo do país agiu com moderação em resposta à provocação do movimento palestino Hamas, o qual chamou de organização terrorista.

“Nenhum país nesta câmara agiria com mais moderação do que Israel. De fato, o histórico de vários países sugere que seriam menos moderados. A organização terrorista Hamas tem incitado a violência durante anos, muito antes de os Estados Unidos decidirem transferir sua embaixada. Não se enganem, o Hamas está satisfeito com os resultados de ontem”, disse Haley, segundo noticiou o jornal britânico Independent.

As declarações de Haley acerca do Hamas são apoiadas pelo governo alemão, que defende uma investigação independente do caso, mas responsabiliza o Hamas pala escalada de violência.

“É claro que todo mundo tem o direito de protestar livremente, mas é igualmente claro que o direito ao protesto pacífico não deve tornar-se um movimento violento, e o Hamas aposta numa escalada da violência”, disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.

Fontes:
The Guardian-UN human rights body to hold special session on violence in Gaza

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