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IGREJA

Conservadores não entendem liberalismo do papa

Muitos acham que o pontífice está se inclinando demais para a esquerda

Conservadores não entendem liberalismo do papa
Francisco foi recebido pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que se declara ateu (Foto: Prime Minister of the Hellenic Republic)

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Quando o Papa Francisco resolveu visitar os refugiados que estão na ilha grega de Lesbos neste fim de semana, ele acabou por entrar numa campo minado político e teológico. A visita foi feita junto com o Patriarca ecumênico Bartolomeu I de Constantinopla, chefe da Igreja Ortodoxa.

Antes da sua partida, o papa teve um rápido encontro com o pré-candidato à presidência dos EUA Bernie Sanders, que estava participando de um ciclo de conferências organizado pelo Vaticano sobre pobreza, ecologia e migração forçada. Logo, depois, o papa apertou a mão do pré-candidato. O pontífice disse que o aperto de mãos não foi nada mais do que boas maneiras e se alguém interpretasse o gesto como algo diferente, a pessoa deveria consultar um psiquiatra.

Só que aparentemente nada vai impedir que os conservadores achem que o papa está se inclinado demais para a esquerda. Eles ignoram o fato de que desde a ascensão de João Paulo II em 1978, os ensinamentos papais tem sido uma mistura de anti-Marxismo e liberalismo social, beirando até o radicalismo, que geralmente vem salpicado de pacifismo. A direita ignora a oposição virulenta do papa João Paulo à invasão do Iraque, por exemplo, e o ativismo ambiental de seu sucessor, Bento XVI. Nesta perspectiva, Francisco pode ser melhor compreendido como o primeiro pontífice verdadeiramente pós-guerra fria, defensor do liberalismo social sem a influência do anti-comunismo.

Concessão de refúgio

Em um gesto marcante, o papa trouxe no avião papal 12 refugiados muçulmanos, incluindo seis crianças. Eles vão ficar no Vaticano e vão ficar sob os cuidados da Comunidade de Santo Egídio, uma organização humanitária católica.

Francisco foi recebido pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que se declara ateu.  A igreja ortodoxa grega, por sua vez, é muito sensível em relação aos seus negócios com o Vaticano, e comparou a chegada do papa com a o conquista de Constantinopla em 1204 pelos soldados latinos. No entanto, o patriarca ecumênico pareceu perdoar a Igreja latina pelo que aconteceu há 812 anos.

 

Fontes:
The Economist-What conservatives get wrong about the liberalism of Pope Francis

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2 Opiniões

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    Produto do meio latino-americano, sua inclinação com o peronismo só poderia fazê-lo um representante da teologia da libertação no Vaticano. Sabemos perfeitamente que esta postura tem seus arcanos na formação histórica do mundo ibérico evidenciada na postura patriarcal para com a sociedade e as políticas de assistencialismo e protecionismo, e também do coitadismo como expressão evangélica que tudo somado significa nada mais nada menos que o surrado populismo. As consequências não poderiam ser outra senão a repetição dos mesmos males que nos afligem eternamente com muito incenso, incontáveis rezas e cânticos gregorianos. Este papa vai terminar impichado.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    As igrejas devem ocupar-se das coisas do espírito e deixar à César o que é de César. O ativismo social pode torna-las tão irrelevantes quanto qualquer ONG.

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