Início » Internacional » Conservadorismo avança na Costa Rica
ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

Conservadorismo avança na Costa Rica

Na democracia mais antiga da América Latina, dois candidatos conservadores disputarão a nova etapa da eleição presidencial

Conservadorismo avança na Costa Rica
Vários fatores contribuíram para a votação em dois candidatos conservadores (Foto: Flickr/izahorsky)

A Costa Rica é um país próspero e um dos regimes democráticos mais consolidados da América Latina desde 1949. Mas os “ticos”, como os costa-riquenhos se intitulam, estão descontentes e essa insatisfação influenciou o resultado do primeiro turno da eleição presidencial em 4 de fevereiro, marcada por uma campanha concentrada no casamento homossexual e na corrupção.

Em 9 de janeiro, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) com sede na capital San José, divulgou um documento no qual disse que os casais homossexuais teriam os mesmos direitos dos heterossexuais na Costa Rica. Essa decisão da CIDH de legalizar o casamento gay irritou o eleitorado conservador. Porém, outros fatores também contribuíram para o descontentamento da população. A taxa de desemprego de 9,4% e o aumento da desigualdade de renda preocupam os costa-riquenhos. A taxa de homicídios de 12,1 por 100 mil pessoas no ano passado, baixa segundo os padrões regionais, mas acima dos índices anteriores, também é um fator de preocupação. Um escândalo envolvendo a importação de cimento da China por um empresário ligado ao presidente, Luis Guillermo Solís, aumentou ainda mais a insatisfação dos eleitores.

Agora, os ticos olham com inveja para os dois países vizinhos, o Panamá, uma das maiores economias da América Central, e a Nicarágua, que oferece mais segurança à população. Em alguns aspectos, as condições de vida eram melhores há 30 anos, observou Rodolfo Piza, candidato do Partido da Unidade Social-Cristã, um dos dois partidos que ocupou a presidência até 2014. “Os costa-riquenhos podiam andar nas ruas sem medo. Havia mais igualdade e menos desemprego.”

Todos esses fatores contribuíram para a votação em dois candidatos conservadores. O deputado e pastor evangélico, Fabricio Alvarado, recebeu o maior número de votos e irá disputar o segundo turno em abril com o candidato governista Carlos Alvarado.

O futuro presidente enfrentará um cenário político e econômico difícil, com um déficit orçamentário equivalente a 6% do PIB em 2017, além da despesa com os salários do governo e contratações, que consome 48% das receitas, mais do que qualquer país membro da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a qual a Costa Rica quer aderir.

Fontes:
The Economist-A gay-marriage ruling shakes up Costa Rica’s election

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *