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SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Coreia do Sul e Japão firmam acordo histórico

Tóquio aceita pagar indenização às escravas sexuais coreanas da Segunda Guerra Mundial

Coreia do Sul e Japão firmam acordo histórico
Estátua em homenagem às 'mulheres conforto' em Seul, na Coreia do Sul (Reprodução/Internet)

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Nesta segunda-feira, 28, a Coreia do Sul e o Japão chegaram a um acordo histórico: Tóquio aceitou depositar um bilhão de ienes (8,3 milhões de dólares) em indenização às sul-coreanas ainda vivas, que foram exploradas pelo exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, considerou que a decisão inicia uma “nova era” nas relações entre os dois países.

Há décadas, a questão da escravidão sexual complica as relações entres os dois vizinhos. Desde que chegou ao poder, em fevereiro de 2013, a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye, adotou uma posição intransigente em relação ao tema. Recentemente, ela sustentou que o assunto continua sendo “o maior obstáculo” para que ambos os países possam ter relações amistosas. De acordo com muitos observadores, a Casa Branca pressionou a presidente Park para aliviar sua posição. E teria sido graças à influência dos Estados Unidos que ela concordou no início de novembro em se encontrar com Abe, na primeira cúpula bilateral entre os dois líderes, na qual decidiram acelerar as negociações para solucionar o assunto.

Os ministros se reuniram nesta segunda em Seul, na Coreia do Sul, para falar sobre as chamadas comfort women ou “mulheres conforto”. Esse era o nome dado às mulheres que os japoneses tentaram apagar de sua história, mas que ficaram conhecidas ao redor do mundo em 1991, quando a coreana Kin Hak-Soon fez uma denúncia. Segundo a coreana, o Japão obrigou mulheres coreanas, filipinas e chinesas a prestarem serviços sexuais aos seus soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Ela acabou por encorajar 250 outras mulheres, que finalmente falaram sobre suas experiências como escravas sexuais dos soldados japoneses, e exigiram o reconhecimento e as desculpas do governo do Japão.

Segundo as denúncias de Kin e investigações posteriores, os soldados japoneses instalaram bordéis militares nos países que dominavam. As mulheres, em sua maioria menores de idade, eram sequestradas de suas casas e ficavam presas nesses lugares, onde deveriam servir aos soldados japoneses de todas as Forças Armadas. Elas tinham horários determinados para servir cada grupo de soldados e o tempo que cada militar podia ficar com elas variava segundo a patente.

De acordo com historiadores, 200 mil mulheres, principalmente coreanas, mas também de outras nacionalidades, foram submetidas à escravidão sexual pelo exército japonês.

O Japão, que ocupou a Coreia de 1910 a 1945, considerava que essa questão havia sido resolvida em 1965, com o acordo que restabeleceu as relações diplomáticas entre Tóquio e Seul. Em 1993, o país emitiu uma declaração expressando “sinceras desculpas e arrependimento” às mulheres que sofreram “uma dor imensurável, incurável do ponto de vista físico e psicológico, pelos ferimentos depois de terem sido usadas como ‘mulheres conforto'”. Desde que ambos os países normalizaram suas relações, em 1965, o Japão entregou cerca de 800 milhões de dólares em subsídios ou empréstimos à sua antiga colônia. No entanto, o montante foi financiado por fundos privados e não pelo governo japonês.

Sendo assim, Seul continuou a exigir que o Japão formulasse uma nova declaração para pedir perdão às mulheres escravizadas nos prostíbulos do exército imperial e que indenizasse as sobreviventes.

O acordo desta segunda-feira prevê que Seul se esforce, em cooperação com as associações de vítimas, a mudar de lugar uma estátua que simboliza o sofrimento das “mulheres conforto”, que está atualmente na frente da embaixada japonesa em Seul. Tóquio considera a obra insultante. A estátua de bronze retrata uma menina que olha com expressão acusadora para a entrada da embaixada japonesa, do outro lado da rua, onde antigas”comfort women” coreanas promoviam manifestações semanais. A sombra de uma idosa corcunda está gravada na calçada.

A dificuldade japonesa de reconhecer os erros

Em 1993, o governo finalmente publicou um estudo reconhecendo oficialmente a existência das “mulheres conforto” e o papel dos soldados japoneses. A corte japonesa decidiu em 2007 que as mulheres não têm direito a receber indenizações. A decisão deixou um gosto de frustração nas vítimas.

Além disso, muitos políticos japoneses negam até hoje a existência dessas mulheres ou diminuem os seus dramas. O primeiro-ministro Shinzo Abe chegou a declarar que “não há prova de que elas foram realmente forçadas” a trabalhar nos bordéis. Mais tarde, ele se desculpou por esta declaração.

No começo de 2013, o governador de Osaka, Toru Hashimoto, chegou a afirmar a jornalistas que durante a guerra a escravidão sexual era “necessária” para manter a disciplina entre as tropas.

 

Fontes:
O Globo-Coreia do Sul e Japão selam acordo sobre escravidão sexual na 2ª Guerra
Terra-"Muitas meninas cometiam suicídio", relata ex-escrava sexual na 2ª Guerra
Folha de S.Paulo-A história de chinesas convertidas em escrevas sexuais na Segunda Guerra
Zero Hora-Coreia do Sul e Japão fazem acordo sobre escravidão sexual da Segunda Guerra Mundial

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2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Os americanos fizeram parecido mais tarde, no Vietnam, transformando a Tailândia num imenso randevu. A diferença é que eles, por serem adeptos das ideias liberais, deixaram tudo a cargo da iniciativa privada.

  2. Bira Seraphico disse:

    Ludwig, esse comportamento deprimente deve estar presente desde o tempo das cavernas, e (infelizmente) próprio dos seres humanos. Os soldaos da SS Wafen praticaram horrores, violaram centenas de jovens russas na II Guerra mundial. Soldados russos e americanos quando invadiram a Alemanha vencida, abusaram sexualmente de jovens ale mas e por ai vai. E simplesmente indesculpável se queremos nos chamar de civilizados. O denominador comum desses horrores e o ser humano, não importando a nacionalidade.

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