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ESPAÇO

A corrida espacial na Ásia

As autoridades chinesas anunciaram o projeto ambicioso de enviar uma nave espacial a Marte em 2020

A corrida espacial na Ásia
A missão a Marte significaria que a longa marcha da China para ocupar uma posição ao lado das principais potências espaciais do mundo, por fim, tinha terminado (Foto: Pixabay)

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Na semana passada, a Índia estabeleceu um recorde mundial ao lançar 104 satélites a partir de um único foguete. Esse acontecimento extraordinário aumentou as expectativas quanto à “corrida espacial” na Ásia. Algumas semanas antes a China havia divulgado uma lista de oito nomes para a primeira nave espacial que fará uma viagem a Marte, com previsão de lançamento em 2020.

Os nomes que abordam desde conceitos espirituais (“perseguindo sonhos”, “perguntas para o céu”) a criaturas fantásticas, como fênix e dragão que voam, mostram a importância da missão para a liderança do país. O júri, que selecionou finalistas de uma lista de 35.900 inscrições, deverá anunciar sua escolha em 24 de abril, o Dia do Espaço no país.

Todo esse alarde em torno da missão está a anos-luz de distância do segredo em que era mantido o programa espacial da China. Revela uma nova visão ambiciosa de exploração espacial, diferente da perspectiva das agências ocidentais. Quando grande parte do mundo está concentrada em questões mais terrenas, por que a China tem tanto interesse em impulsionar seu programa espacial?

A missão a Marte significaria que a longa marcha da China para ocupar uma posição ao lado das principais potências espaciais do mundo, por fim, tinha terminado. Criado em 1956, o programa espacial chinês sofreu uma interrupção durante a Revolução Cultural de Mao. Os recursos destinados ao programa restringiram-se na maior parte da década de 1980, quando as reformas de Deng Xiaoping deram ênfase ao desenvolvimento econômico.

Só na década seguinte o programa espacial passou a ser uma atividade estrategicamente vital para o governo chinês. Essa mudança de atitude foi resultado em parte da Guerra do Golfo em 1991, na qual os mísseis guiados por satélite ajudaram a coalizão liderada pelos Estados Unidos a vencer a guerra com rapidez.

Mas muitas iniciativas da China para acompanhar os progressos de outros países fracassaram. Uma colaboração de dez anos com os EUA, na qual os foguetes chineses lançaram dezenas de satélites americanos foi interrompida em 1999, depois de uma série de falhas técnicas e acusações de roubo de tecnologia.

Os taikonautas, como são chamados os astronautas chineses, nunca tiveram permissão de visitar a Estação Espacial Internacional (ISS). O envolvimento da China no projeto Galileo, o sistema de navegação por satélite da União Europeia, também fracassou. Diante de oportunidades tão reduzidas de colaboração, a China decidiu desenvolver uma tecnologia espacial com recursos internos.

Em 2011, a China enviou um satélite para a órbita de Marte, mas a tentativa frustrou-se em razão do foguete russo de transporte não ter conseguido sair da órbita terrestre. Agora, o governo chinês quer dar prioridade ao programa espacial para compensar seu atraso em relação aos EUA e à Agência Espacial Europeia. Além disso, será uma oportunidade da China superar a Índia na corrida espacial do continente asiático.

Fontes:
The Economist-Why China wants to go to Mars

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1 Opinião

  1. Lucinda Telles disse:

    Enquanto os poderosos do planeta fazem a corrida espacial, em Pindorama os nativos fazem a corrida ao carnaval.

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