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POLÍTICA

Corrupção atrapalha renovação política na América Latina

Descrédito em relação aos governantes afasta jovens da política no continente

Corrupção atrapalha renovação política na América Latina
Corrupção e reeleição prejudicam renovação política (Foto: Wikipedia)

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Há alguns anos, os governantes da América Latina eram em geral populares, em razão em grande parte dos preços mais elevados das commodities, que proporcionaram recursos para promover programas sociais e conceder subsídios. Agora está mais difícil governar os países latino-americanos, com a economia em recessão e a crescente intolerância do povo à corrupção. Embora isso tenha provocado um clima de oposição aos governantes atuais, não criou um espaço propício à entrada de uma nova geração de líderes no cenário político. Na verdade, um abismo se abriu entre uma sociedade civil cada vez mais dinâmica e os sistemas políticos fossilizados.

Pedro Pablo Kuczynski, com 77 anos, venceu as eleições no Peru em junho. É provável que a disputa presidencial no Chile no próximo ano seja entre Ricardo Lagos, que terá 79 anos na ocasião, e Sebastián Piñera, ambos ex-presidentes. As pesquisas de intenção de votos na eleição no México em 2018 indicaram a liderança de Andrés Manuel López Obrador, que concorrerá à presidência pela terceira vez, e Margarita Zavala, cujo marido, Felipe Calderón, foi presidente no período de 2006 a 2012. No Brasil não existem novos políticos entre os principais candidatos à sucessão de Michel Temer, com 76 anos, que assumiu a presidência do país após o impeachment de Dilma Rousseff.

Quais são as razões que impedem uma renovação política na América Latina? O descrédito em relação à política e a alienação dos jovens são fatores comuns nas democracias no mundo inteiro. Além disso, os partidos políticos baseados em ideologias do século XX tentam se adaptar a um novo mundo de pessoas, que conquistaram poder por meio das redes sociais. No entanto, é preocupante que jovens brilhantes não estejam interessados em seguir a carreira política na América Latina por causa da influência da geração do milênio. Cento e cinquenta e seis milhões de latino-americanos, ou 26% do total da população, têm entre 15 a 29 anos. “Todos pensam que o mundo da política destina-se aos corruptos e oportunistas, portanto, agora o grande desafio é dar um novo sentido e um novo valor à política”, disse Cecilia Chacón, um membro bastante jovem do conselho municipal em La Paz.

Outro fator de bloqueio à renovação política é a reeleição presidencial permitida em 14 países. Segundo Daniel Zovatto da International IDEA, uma organização dedicada à promoção da democracia, mesmo quando não é por dois mandatos consecutivos, “a perda do mandato seguinte não significa que os presidentes irão se aposentar, e sim que vão ficar no banco de reservas, como no basquete, à espera do retorno”.

Em alguns países a luta contra a corrupção corre o risco de se degenerar em uma criminalização demagógica dos políticos, o que também dificulta a renovação de lideranças, na opinião de Luiz Felipe d’Avila, presidente do Centro de Liderança Pública, uma organização sem fins lucrativos com sede em São Paulo. Os promotores públicos brasileiros perseguem com razão as pessoas envolvidas no enorme escândalo de corrupção da Petrobras, mas ministros honestos poderão passar anos lutando contra processos judiciais.

Os jovens latino-americanos não são apolíticos. As manifestações nas ruas exigindo que os políticos expliquem suas condutas e assumam a responsabilidade por seus atos, transformaram-se em uma característica da região. Existem alguns parlamentares jovens, como os ex-líderes estudantis eleitos para o Congresso no Chile, mas na estrutura dos partidos políticos na América Latina é difícil atingir uma posição importante. Se os partidos não encontrarem formas de se adaptarem com rapidez às mudanças na sociedade, há o risco de abrirem caminho para uma nova geração de políticos populistas ou para um cenário de conflitos crônicos.

Fontes:
The Economist-A discredited profession

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