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ÉTICA DETURPADA

Corrupção mina grupos de combate à máfia na Itália

Grupos da sociedade civil que se opõem às atividades da máfia cresceram, mas nem todos têm uma conduta irrepreensível

Corrupção mina grupos de combate à máfia na Itália
Alguns existem apenas para aumentar o prestígio de seus fundadores (Foto: Flickr/Manif)

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Poucas pessoas são tão respeitadas pela maioria dos italianos do que os que combatem os poderosos sindicatos do crime organizado do país. Existem quatro grandes organizações criminosas: a máfia siciliana Cosa Nostra, a Camorra na região da Campania, perto de Nápoles, a Ndrangheta na Calábria e a menos conhecida Sacra Corona Unita em Puglia, na costa do mar Adriático.

Entre as pessoas que combatem a máfia estão policiais, promotores públicos, juízes, jornalistas, empresários que se recusam a pagar o pizzo (gíria que se refere ao dinheiro pago em troca de proteção) e membros de organizações voluntárias sem fins lucrativos, como a Libera. Fundada pelo padre Luigi Ciotti, a Libera especializou-se na exploração da terra e de outros recursos confiscados dos chefes da máfia, quase sempre por meio da intimidação a
pessoas ligadas aos chefes que cumprem pena de prisão. No entanto, nos últimos oito meses diversos promotores do sul da Itália e comissões permanentes sobre o crime organizado do Parlamento italiano estão investigando alguns adversários da máfia. Por quê?

Os grupos da sociedade civil que se opõem às atividades criminosas da máfia cresceram desde os assassinatos em 1992 dos dois principais adversários da máfia siciliana, os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Mas nem todos os grupos têm uma conduta tão irrepreensível como a Libera. Alguns existem apenas para aumentar o prestígio de seus fundadores. Eles também dão acesso a fundos públicos passíveis de serem desviados. Em janeiro, a diretora de um grupo de mulheres na Calábria foi condenada a quatro anos de prisão pelo uso do dinheiro em despesas pessoais. Entre outros gastos, ela comprou um carro.

Em curto prazo, o desmascaramento dos falsos adversários da máfia irá incentivar a ação do crime organizado. Algumas pessoas não farão doações a grupos de combate à máfia, que se beneficiam com o sistema em que os italianos podem doar um pequeno percentual de seus impostos a instituições beneficentes reconhecidas. E isso reforça a visão cínica dos mafiosos que seus adversários não são melhores do que eles.

Fontes:
The Economist-Why Italy’s anti-mafia movement is in trouble

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