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O esquema de corrupção no tênis

O esquema de manipulação de resultados de partidas na elite do tênis mundial

O esquema de corrupção no tênis
“É isso que os jogadores de tênis fazem”, disse o jogador australiano Nick Lindahl (Foto: Wikimedia)

Quase 10 anos se passaram desde que os boatos de uma epidemia de manipulação de resultados nas partidas de tênis vieram a público. Em agosto de 2007, as apostas na vitória improvável de Martín Vassallo Argüello, um jogador argentino, na partida contra o russo Nikolay Davydenko totalizaram US$7 milhões. Na época, Davydenko era o 4º colocado no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e Vassallo o 87º. Após vencer o primeiro set, Davydenko abandonou a partida alegando uma lesão.

Mais tarde a ATP disse que a sua investigação não havia descoberto “nenhuma evidência de violação de regras”, mas as repercussões do incidente resultaram na criação da Unidade de Integridade do Tênis (UIT), uma entidade dedicada ao combate à corrupção no esporte. Desde então, as histórias de manipulação de resultados têm circulado, embora tenham se concentrado em jogadores medíocres e partidas sem importância.

No entanto, há poucas semanas a atenção internacional se voltou para um aspecto menos agradável desse esporte elegante. Em 17 de janeiro, véspera do início do Aberto da Austrália, a primeira das quatro grandes competições no calendário anual, o site de notícias Buzzfeed publicou um relatório criticando as autoridades do mundo do tênis, por não terem investigado indícios sérios de manipulação de resultados em diversas ocasiões. Ao analisar dados de apostas históricas, os autores do relatório disseram que haviam identificado 15 jogadores, entre os quais um vencedor de Grand Slam, que repetidamente haviam perdido partidas em circunstâncias suspeitas.

Uma semana depois, a primeira rodada de duplas em um campeonato em Melbourne, entre a equipe de Andrea Hlavackova e Lukasz Kubot e os espanhóis Lara Arruabarrena e David Marrero, atraiu a atenção depois que um site de apostas suspendeu suas atividades alegando um movimento anormal. Por fim, em 25 de janeiro o jogador australiano Nick Lindahl confessou ter perdido uma partida propositalmente e de ter informado seus planos aos apostadores com antecedência. Lindahl desculpou-se com a frase desdenhosa “é isso que os jogadores de tênis fazem”. De repente, a corrupção no tênis parece menos um risco contido e mais uma ameaça mortal que pode destruir o esporte se não for controlado, assim como destruiu o futebol no Leste Asiático.

Fontes:
The Economist-Who’s afraid of insider trading?

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