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Alemanha

Cotas de mulheres nos conselhos de administração

A nova política da Alemanha não terá grande impacto para incentivar a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho

Cotas de mulheres nos conselhos de administração
Muitas mulheres temem que os homens as olhem com desprezo por terem assumido uma posição imposta pelo sistema de cotas (Reprodução/AFP)

Apesar da falta de consenso na grande coalizão do governo da Alemanha, o gabinete ministerial decidiu estabelecer uma cota de participação de mulheres nos conselhos de empresas alemãs. A decisão foi anunciada em 11 de dezembro por Heiko Maas, ministro da Justiça e da Defesa dos Consumidores, e Manuela Schwesig, ministra da Família, das Pessoas Idosas, da Mulher e da Juventude, ambos membros da ala centro-esquerda do Partido Social-Democrata (SDP).

Manuela Schwesig e Heiko Maas fizeram uma defesa veemente, porém equilibrada do sistema de cotas. As mulheres têm uma participação de 43% no mercado de trabalho, sendo que 53% com nível universitário, mas só 4% são membros de conselhos de administração e 15% de conselhos consultivos das 200 maiores empresas da Alemanha. Na proposta do governo 30% dos assentos dos conselhos de todas as empresas que adotaram o sistema de cogestão, em que, por lei, são obrigadas a terem representantes de seus funcionários nos conselhos consultivos, serão ocupados por mulheres.

Já surgiram duas objeções a essa lei. Primeiro, os conselhos não querem apenas uma pessoa “qualificada”, e sim alguém que possa exercer um papel específico. E, segundo, os conselhos consultivos das empresas alemãs têm sido acusados de falta de motivação ou de incompetência nos últimos anos. Eles não têm pessoas entusiastas ou brilhantes entre seus membros e, talvez por esse motivo, seja difícil encontrar alguém competente de ambos os sexos. É possível que essa seja a razão, além da discriminação contra as mulheres, da decisão de diversas empresas de saírem da Alemanha se o sistema de cotas for implementado.

Muitas mulheres temem que os homens as olhem com desprezo por terem assumido uma posição imposta pelo sistema de cotas, e não por mérito. E as políticas de defesa dos direitos das mulheres nem sempre as ajudam a obter cargos importantes. As licenças de maternidade prolongadas, por exemplo, significam que elas dedicam mais tempo a criar os filhos, enquanto os homens mais experientes são promovidos ao atingirem determinada idade.

Fontes:
The Economist-Harder than it looks

2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Sempre achei equivocado esse discurso feminista de igualdade. Felizmente, ao que parece, a maioria das mulheres também acha. Aquelas que quiserem ser algo melhor que a maioria dos homens tem o meu apoio.

  2. Joma Bastos disse:

    Cotas, é uma má solução.

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