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Liberdade de Expressão

Cresce o conflito entre liberdade de expressão e tolerância religiosa na Holanda

As restrições à liberdade de expressão permitem que provocadores assumam o papel de mártires

Cresce o conflito entre liberdade de expressão e tolerância religiosa na Holanda
Em um discurso no ano passado após as eleições locais, Geert Wilders pediu à multidão de seus seguidores que gritassem que queriam "menos marroquinos" (Reprodução/Eyevine)

A identidade da Holanda enraíza-se nos princípios liberais do Iluminismo, porém, durante anos, os conflitos entre as leis que exigem a liberdade de expressão e as leis que obrigam a tolerância religiosa têm contestado esses princípios. Em um discurso no ano passado após as eleições locais, Geert Wilders, um político populista pediu à multidão de seus seguidores que gritassem que queriam “menos marroquinos” e, em seguida, respondeu: “Então vamos providenciar isso.” Wilders está sendo processado por ter feito observações que, segundo os promotores, demonizaram um grupo étnico, em vez de criticar uma religião.

Wilders usa esses processos para assumir um papel de mártir na defesa da livre expressão, uma estratégia política comum na Holanda. Essa estratégia foi usada pela primeira vez por Pim Fortuyn,  um professor de sociologia, que alcançou uma enorme popularidade em 2001, ao atacar as ideias politicamente corretas e o  multiculturalismo, antes de ser assassinado por um ativista pelos direitos dos animais. Fortuyn, que era homossexual, criticou o Islã por ser uma religião “retrógada” e homofóbica, e insistiu que era apenas o porta-voz das convicções silenciosas da maioria. Sua franqueza encorajou muitos holandeses a expressarem opiniões, com frequência ofensivas, sobre assuntos considerados tabus. Depois que Theo van Gogh, um cineasta e militante contra o Islã, foi assassinado em 2004, a defesa da liberdade de expressão tem significado ataques crescentes e declarados ao islamismo.

A proibição do Alcorão é uma das metas do Party for Freedom (PVV) de Geert Wilders. Ele nega que isso seja uma contradição à sua atitude de defensor da liberdade de expressão, e comparou o Alcorão ao livro Mein Kampfde Hitler, ou seja, o manual de uma ideologia totalitária. Mein Kampf é proibido na Holanda, assim como na Alemanha, que tem leis que proíbem o estímulo ao ódio de grupos étnicos ou religiosos. Mas o confronto na Holanda entre o direito de livre expressão e as leis referentes à tolerância religiosa está cada vez mais agressivo. Para muitos holandeses, as críticas contundentes à religião fazem parte do patrimônio cultural do país, desde o racionalismo cartesiano de Spinoza. No entanto, o governo esforça-se para impedir que as diversas comunidades religiosas se insultem com violência.

Fontes:
Economist-Illiberal liberalism

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