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ESTUDO

Cresce o número de jovens com transtorno de ansiedade nos EUA

Psicólogos tentam descobrir se o aumento está ligado ao uso constante das redes sociais

Cresce o número de jovens com transtorno de ansiedade nos EUA
Estudo coletou dados de mais de 500 mil adolescentes americanos (Foto: Pixabay)

A campainha tocou anunciando o encerramento de mais um dia de aula em uma escola de ensino médio no centro de Los Angeles e os alunos precipitaram-se para a saída com os celulares nas mãos. Na calçada do colégio quase todos os alunos olhavam para a tela de seus smartphones, com a cabeça inclinada. Um grupo de garotos divertia-se com um vídeo do YouTube, enquanto uma menina à espera de sua carona olhava as irmãs Kardashian no Instagram.

Desde 2007, quando a Apple lançou o primeiro iPhone, essas cenas são corriqueiras nos EUA. Dados de uma pesquisa do Pew Research Centre mostraram que três quartos dos adolescentes têm acesso a um smartphone. De acordo com um executivo do Facebook, a geração do milênio olha a tela de seus celulares em média mais de 150 vezes por dia.

Ao longo da última década, o número de crianças e adolescentes americanos internados em hospitais infantis por terem pensamentos suicidas mais do que duplicou. Alguns não receberam ajuda a tempo de evitar uma tragédia. A taxa de suicídio de jovens de 15 a 19 anos aumentou 31% para os homens e mais que duplicou entre as mulheres no período de 2007 a 2015. Os psicólogos tentam descobrir se esse aumento coincidiu com o uso das redes sociais, ou se existe outro fator que provoca depressão.

“Os jovens atuais nasceram na época do massacre de Columbine, eram crianças em 11 de setembro, e enfrentaram uma das piores recessões da história moderna”, disse Nicole Green, diretora executiva do Counselling and Psychological Services da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que observou o aumento da assistência psicológica do departamento a estudantes da universidade.

Um estudo recente de Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de São Diego e autora de iGen: Why Today’s Super-Connected Kids Are Growing Up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy, sugeriu que as inúmeras horas em frente às telas dos smartphones eram responsáveis pela depressão entre os adolescentes.

Ao examinar os dados coletados em mais de 500 mil adolescentes americanos, Twenge descobriu que os jovens que passavam mais tempo em novas mídias, como Snapchat, Facebook e Instagram tinham mais tendência a se influenciarem com frases como: “O futuro, muitas vezes, parece sombrio”, ou “não sei fazer nada de maneira correta”.

Apesar da pesquisa extensa de seu estudo, Twenge reconhece que outros fatores podem ser responsáveis pelo aumento de casos de depressão entre os adolescentes, que procuram refúgio em seus iPhones. Um número crescente de evidências científicas indica que as redes sociais também causam sentimentos de inadequação e tristeza.

Mas nem todos os estudos têm uma visão pessimista das novas mídias. Quando existe interação entre os usuários as redes sociais podem ser divertidas, com momentos agradáveis de lazer.  É preciso evitar o uso constante do Snapchat e do Instagram, que mostram fotos de pessoas sempre felizes, em férias em lugares exóticos, ou em casamentos luxuosos. Inconscientemente, às vezes as pessoas comparam suas vidas com as imagens de sonho postadas nas mídias. “É muito fácil romantizar a vida de alguém com base nas fotos postadas”, disse Sarah, uma aluna do ensino médio em Los Angeles.

Fontes:
The Economist-Teenagers are growing more anxious and depressed

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