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Falha de Moscou

Crimeia enfrenta ameaça de escassez com aproximação do inverno

Sem acesso por terra à península anexada, Moscou envia alimentos através do Mar Negro. Mas isso se tornará inviável quando o inverno chegar, congelando as águas da região

Crimeia enfrenta ameaça de escassez com aproximação do inverno
A escassez ameaça especialmente o abastecimento de carvão e alimentos (Reprodução/Ibellhop)

Quase um ano após ser anexada pela Rússia, a Crimeia enfrenta escassez de alimentos e de energia. E com a aproximação do inverno esses problemas tendem a piorar.

Quando Moscou aprovou o plebiscito que tornava a Crimeia parte do território russo, não levou em conta a dificuldade de acesso à península. Por enquanto, esse acesso tem sido feito através do Mar Negro. Navios russos descarregam suprimentos no porto de Sebastopol, que é controlado pela Rússia. Porém, isso será inviável à medida que o inverno chegar e congelar as águas do mar.

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o cientista político ucraniano Taras Berezovets alertou para o risco da Rússia estimular rebeliões separatistas no leste da Ucrânia, no intuito de abrir um corredor no país que dê acesso à Crimeia.

“Pode se tornar tentador para a Rússia, que não consegue levar suprimentos básicos para a Crimeia, realizar incursões militares que abram uma ‘ponte’ em solo para a península”, disse Berezovets.

Talvez esse temor tenha feito com que o governo ucraniano continuasse a fornecer energia para a Crimeia. Segundo FT, os 2,4 milhões de habitantes da península continuam completamente dependentes da Ucrânia. Dois terços dos alimentos e dos bens de consumo que chegam à Crimeia provêm da Ucrânia, que também fornece 80% da energia e da água consumida pela península.

A escassez ameaça especialmente o abastecimento de carvão e alimentos. Isso porque a linha de trem que ligava a península à Ucrânia foi cortada após a anexação russa. O risco de escassez já afeta o bolso da população, que notou um aumento nos preços dos alimentos. “Há uma grave escassez. Não sei como as pessoas vão enfrentar o inverno”, revelou ao FT Eskender, um produtor rural de a Crimeia.

Fontes:
Financial Times-As winter nears, Russia strains to feed and heat Crimea

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