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TRAGÉDIA HUMANITÁRIA

Crise de fome sem precedentes ameaça quatro países

Sudão do Sul, Nigéria, Somália e Iêmen atravessam uma crise de fome simultânea no maior desastre humanitário desde a Segunda Guerra Mundial

Crise de fome sem precedentes ameaça quatro países
Fome coloca em risco a vida de 20 milhões de pessoas (Foto: Andy Hall/Oxfam)

Uma crise humanitária sem precedentes ameaça três países da África e um do Oriente Médio. Pela primeira vez, quatro países atravessam uma crise de fome na mesma época, colocando em risco a vida de 20 milhões de pessoas.

Os países afetados são: Sudão do Sul, Somália, Nigéria e Iêmen. Segundo agências internacionais, trata-se do maior desastre humanitário desde a Segunda Guerra Mundial e as lições de crises de fome anteriores terão um papel crucial para que erros do passado não se repitam.

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Uma delas é a constatação de que a crise de fome não é desencadeada apenas pela falta de alimentos, mas também de outro recurso essencial: a água. Um ser humano sobrevive semanas sem alimento, mas cinco dias sem água significa morte. Além disso, a falta de água gera condições de higiene precárias que resultam no alastramento de doenças, como a cólera. É o que está ocorrendo na Nigéria e na Somália.

Para conter essa ameaça, agentes humanitários correm contra o tempo para criar mais canais de abastecimento em campos de refugiados e fornecer para a população em risco sabão e lixeiras, itens básicos que podem salvar vidas. “Nós subestimamos o papel da água e sua contribuição na mortalidade da última crise de fome. Foi ofuscado pela falta de alimentos”, disse Ann Thomas, especialista em água e higiene da Unicef.

A fome se alastra à medida que a seca avança em várias regiões da África, afetando áreas extremamente carentes. Segundo a ONU, é necessário injetar bilhões de dólares para responder ao avanço da atual crise. Ao mesmo tempo, o presidente americano, Donald Trump, defende cortar a ajuda financeira à organização, algo que pode multiplicar o número de mortos.

Há anos cientistas alertam que as mudanças climáticas iriam aumentar a frequência de estiagens. Porém, os países mais afetados pela seca produzem quase nenhuma emissão de carbono. No Sudão do Sul e na Somália, por exemplo, carros e indústrias são escassos. Mas seus campos estão secando e seus animais estão morrendo por conta das emissões geradas em outras partes do mundo. Ou seja, as pessoas desses países sofrem os efeitos da produção desenfreada de eletrônicos e carros que elas somente irão tocar em sonho.

A fome também é fruto de conflitos armados. Segundo agentes humanitários, há alimentos e água suficientes no mundo para atender toda a população global, incluindo a dos países afetados. Porém, conflitos armados promovidos por poucos grupos afetam a vida de milhões, destruindo mercados e fazendo o preço dos alimentos saltarem a níveis exorbitantes.

No Iêmen, bombardeios e bloqueios comerciais promovidos pela Arábia Saudita mutilaram a economia e elevaram o preço dos alimentos de tal forma que atualmente centenas de milhares de crianças do país correm o risco de morrer de fome. Na Nigéria, o conflito entre o exército e o grupo extremista Al Shabab levou milhares de pessoas a adoecer por conta de doenças causadas por água insalubre e falta de higiene. No Sudão do Sul, rebeldes e forças do governo bloqueiam intencionalmente a entrada de alimentos e sequestram os caminhões de ajuda humanitária. Com isso, comunidades inteiras permanecem isoladas em regiões pantanosas, tentando sobreviver ingerindo plantas e água infestada de vermes.

Fontes:
The New York Times-Drought and War Heighten Threat of Not Just 1 Famine, but 4

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    O pessoal das estatísticas afirmam que no mundo se morre mais de obesidade do que de fome. Quero ver eles convencerem os africanos que se eles fossem gordinhos seria pior.

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