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África Ocidental

Crise do ebola fará o número de mortes por outras doenças disparar na África

Sobrecarregados e com baixas, centros de saúde não aguentam a demanda

Crise do ebola fará o número de mortes por outras doenças disparar na África
Segundo a agência da ONU, pelo menos 208 trabalhadores de saúde foram mortos pelo ebola na região (Reprodução/CELLOU BINANI/AFP)

Segundo especialistas, o número de mortes por doenças contagiosas como malária, diarreia e pneumonia deve disparar nos países da África Ocidental, onde a epidemia de ebola tem sobrecarregado os sistemas de saúde.

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Pesquisadores afirmam que somente as mortes por malária – doença que mesmo antes do surto de ebola já matava cerca de 100 mil pessoas por ano na região – podem quadruplicar nas áreas endêmicas, já que muitas pessoas podem ficar sem tratamentos.

Para o professor da Escola Londrina de Higiene e Medicina Tropical, Chris Whitty, “muito mais pessoas estão morrendo de outras coisas que não o ebola”.

Ao passo que a epidemia avança, as chamadas mortes “colaterais” – que incluem complicações em partos e condições crônicas, como doenças cardíacas – aumentam, uma vez que os centros de saúde e seus funcionários, estão sobrecarregados, e ainda contam com baixas na equipe por conta do vírus.

Carolyn Miles, chefe da ONG internacional Save the Children, disse que crianças menores de cinco são as mais vulneráveis, tanto ao ebola quanto aos efeitos do estresse psicológico causado por pais e parentes que estão morrendo. Estima-se que 2,5 milhões de menores com esse perfil vivam nas zonas afetadas.

Conforme os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o vírus já matou quase 3 mil pessoas na África Ocidental. Já a agência de saúde das Nações Unidas anunciou que pelo menos 208 trabalhadores de saúde foram mortos pelo vírus, de um total de 373 infectados até agora.

OMS considera o uso de vacinas experimentais em janeiro

A OMS declarou nesta sexta-feira, 26, que espera começar a usar – em pequena escala – duas vacinas experimentais contra o ebola no início de 2015.

“Pode ser que comecemos a usar algumas dessas vacinas em países afetados no início do próximo ano, em janeiro. Esta não será uma campanha de vacinação em massa, vamos ser claros sobre isso, porque a quantidade que estará disponível não tornará isso possível”, declarou a assistente da diretoria-geral da OMS, Marie-Paule Kieny, durante uma entrevista coletiva em Genebra.

Kieny salientou, no entanto, que as vacinas ainda são experimentais e ainda não mostraram resultados em humanos contra o ebola. “Elas têm dado resultados muito promissores em macacos, mas os macacos não são seres humanos. Pode ser que essas vacinas não sejam seguras para humanos ou que não façam nenhum efeito em termos de proteção. Portanto, temos de ser muito prudentes”.

 

Fontes:
O Globo-Mortes por outras doenças devem disparar em meio à crise do ebola na África

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