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A crise dos imigrantes ilegais

Em 16 anos, morreram mais pessoas tentando fazer a travessia entre México e EUA do que no 11 de setembro e no furacão Katrina juntos

A crise dos imigrantes ilegais
Fronteira entre México e Estados Unidos (Foto: Pixabay)

Quatro estados americanos fazem fronteira com o México: Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. Nos últimos 16 anos, mais pessoas morreram tentando fazer a travessia de forma ilegal do México para os EUA nesses estados que no ataque de 11 de setembro junto com o furacão Katrina. A informação é do New York Times.  De outubro de 2000 até setembro de 2016, a polícia da fronteira registrou 6.023 mortes de imigrantes nos quatro estados, enquanto mais de 4.800 pessoas morreram no ataque das torres gêmeas e no furacão.

Pela frequência de mortes, as autoridades locais acreditam que esta seja uma crise humanitária. Texas e Arizona são os dois estados com mais número de mortes. Dentro do Texas, o condado de Brooks é onde há mais registros. Neste local, os imigrantes têm duas opções: andar pela estrada (onde seriam facilmente encontrados) ou andar por dentro das fazendas (onde costumam se perder). Desde janeiro de 2009, foram encontrados corpos e restos mortais de mais de 550 imigrantes sem documentos no condado. É provável que o número seja maior, já que estes são os casos relatados às autoridades.

Em 2014, um antigo governador do Texas, Mark W. White Jr., ligou para as autoridades depois de achar parte de um crânio humano enquanto caçava codornas perto da fronteira. “A primeira coisa que me perguntaram era se o corpo já estava em processo de decomposição ou não”. A mulher que atendia o chamado respondeu: “Não podemos recolher hoje porque temos três corpos [de pessoas que acabaram de morrer] para recolher hoje”.

Os imigrantes ilegais estão em trânsito permanente. Eles pagam guias conhecidos como “coiotes” para acompanhá-los até Rio Grande, no Texas. Depois os coiotes escondem os imigrantes em locais próximos à fronteira. Em seguida, os imigrantes são deixados em áreas remotas perto dos postos de controle para que eles comecem suas jornadas a pé. Alguns estão preparados e equipados com mochilas para uma longa caminhada, mas muitos não carregam muita coisa. Em janeiro, uma mulher que morreu de desidratação e hipotermia foi achada vestindo um saco de lixo para se aquecer e se manter seca.

Em maio de 2013, antropólogos forenses e alunos estavam no cemitério Sacred Heart, na cidade de Rowlett, no Texas, quando perceberam que o contorno de alguns túmulos era bem menor do que o convencional. Pesquisadores das universidades de Indianapolis, Baylor e da Universidade Estadual do Texas exumaram dúzias de túmulos de imigrantes não identificados no Sacred Heart para analisar seus corpos e ajudar a identificá-los. A equipe da Universidade de Indianópolis percebeu que não se tratava de um caixão, mas de um engradado de leite, onde havia restos mortais.

Por anos, o processo de examinar e enterrar imigrantes desconhecidos foi mal feito na fronteira do Texas. Muitos foram enterrados sem ser recolhidas amostras de DNA para serem submetidas à base de dados de DNA do estado, como é exigido pela lei do Texas.

Além disso, muitos engradados continham restos mortais de até cinco pessoas diferentes. No cemitério Sacred Heart, 145 corpos de imigrantes foram exumados em 2013, 2014 e 2017. Destes 145, 41 estavam enterrados em grupos.

Fontes:
The New York Times-A Path to America, Marked by More and More Bodies

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