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Crise nas minas de carvão do Reino Unido

O fechamento iminente das minas é um momento de reflexão em relação aos novos rumos da economia britânica

Crise nas minas de carvão do Reino Unido
A mina de Hatfield é uma das últimas ativas no Reino Unido (Foto: Geograph)

Saindo com dificuldade da mina de carvão profunda, cobertos por uma poeira negra desde os capacetes de plástico, às botas revestidas de aço e às pernas nuas, os mineiros da mina Hatfield parecem visões de um passado remoto. A camada de três metros de profundidade em Barnsley que eles haviam passado oito horas escavando só tinha, na verdade, 800 metros de distância da superfície. Mas a geoeconomia que, ao longo de três séculos, criou, apoiou e, às vezes, causou enormes danos às regiões de mineração em South Yorkshire, às máquinas, fábricas e centrais elétricas, está praticamente em fase de extinção.

Em seu auge, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, as minas profundas de Yorkshire, Durham, País de Gales e outras regiões de depósitos sedimentares, consideradas as forças motrizes da Revolução Industrial, empregavam mais de um milhão de homens e meninos. O setor de mineração constituía a base da economia britânica moderna, “uma espécie de cariátide”, escreveu George Orwell, “em cujos ombros apoiam-se quase tudo que não é moralmente condenável”. Mas, desde então, o declínio do setor de mineração, com as crises repentinas de fechamentos de minas e os consequentes efeitos desastrosos para as comunidades afetadas, tem sido um dos piores aspectos do processo de desindustrialização do Reino Unido. Vinte e três minas foram fechadas em 1985, depois de um ano da greve dos mineiros e da privatização do setor de mineração; mais de 16 minas encerraram suas atividades em 1989; e em 1991 outras 14 fecharam as portas. Agora, só três minas profundas que empregam 2 mil mineiros continuam em atividade, entre os quais 436 mineiros da mina Hatfield, perto de Doncaster. E nos próximos meses duas dessas minas também irão fechar.

Nos termos de um acordo de ajuda financeira do governo à empresa de mineração UKCoal, suas duas minas de carvão em  Yorkshire e Nottinghamshire irão fechar no próximo mês e em novembro. Só restaria então a mina de carvão Hatfield, que pertence aos seus funcionários, em funcionamento; mas nos termos de um acordo semelhante, a mina encerrará suas atividades em agosto de 2016. No entanto, agora isso é uma previsão otimista devido à queda súbita do preço mundial do carvão, que coincide com o aumento do imposto cobrado das usinas de geração de energia elétrica a carvão consideradas uma fonte de poluição ambiental. Além disso, Hatfield, uma das maiores minas de extração de carvão mineral do mundo fundada em 1916, não consegue vender seu estoque crescente de carvão ao preço do mercado global, muito menor, aliás, do que seu custo de produção. Em razão de todos esses fatores a situação da mina é dramática. Seus diretores estão emLondres esta semana tentando conseguir uma ajuda financeira do governo. Como é pouco provável que consigam, a mina pode fechar em algumas semanas.

Fontes:
Economist-The end of industry

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