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Golpe militar?

Crise no Egito se agrava com renúncia de ministros

Manifestantes voltaram a se concentrar na Praça Tahrir, no Cairo, para pedir a renúncia do presidente Mohamed Morsi, no poder há um ano

Crise no Egito se agrava com renúncia de ministros
Helicópteros militares que sobrevoaram a Praça Tahrir na segunda-feira foram saudados por manifestantes (Reprodução/Reuters)

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O isolamento político do presidente egípcio Mohamed Morsi parece cada vez mais insustentável. Pelo terceiro dia consecutivo, manifestantes voltaram a se concentrar na Praça Tahrir, no Cairo, para pedir sua renúncia, enquanto funcionários do alto escalão do governo abandonaram seu gabinete e sua assessoria de imprensa nesta terça-feira, 2.

Islamitas ultraconservadores também se juntaram à oposição, pedindo eleições presidenciais antecipadas.  De acordo com o ultimato dado ao presidente na segunda-feira, 1º, pelo chefe das Forças Armadas, faltam menos de 24 horas para que Morsi apresente uma solução para as reivindicações dos manifestantes nas ruas. Caso contrário os militares estariam preparados para intervir no governo. A princípio, o presidente rejeitou o ultimato.

Leia também: Presidente egípcio rejeita ultimato do Exército

Uma matéria exclusiva da agência Reuters cita fontes militares egípcias e afirma que o plano das Forças Armadas é derrubar a nova Constituição do país e dissolver o Parlamento dominado por islâmicos se o presidente da Irmandade Muçulmana e seus oponentes não conseguirem chegar a um acordo sobre a partilha do poder até quarta-feira, 3. No pronunciamento em TV estatal realizado pelo chefe das Forças Armadas na segunda-feira, 1º, não ficou claro o que os militares estavam dizendo quando exigiram que Morsi “solucione as demandas dos manifestantes”, nem o que estariam preparados para fazer se essa vaga exigência não for cumprida no prazo de 48 horas, muito menos de que forma pretendem unir uma nação polarizada e furiosa. Morsi tornou-se o primeiro presidente democraticamente eleito do Egito há pouco mais de um ano.

O ministro das Relações Exteriores do país, Mohamed Kamel Amr, foi o último a renunciar nesta terça, elevando para seis o número de ministros que deixaram o governo desde o início dos protestos massivos contra o governo, no domingo. O porta-voz do gabinete do presidente, Alaa al-Hadidi, e dois assessores presidenciais também pediram demissão na terça, informou a mídia estatal.

Do outro lado do conflito, partidários de Morsi também prometeram manifestações de apoio ao presidente e disseram que pretendem defendê-lo contra o que eles chamaram de um possível “golpe militar”.

Em um comunicado severo emitido na madrugada de terça-feira, o escritório de Morsi afirmou que continuava com seus planos de buscar o diálogo e a reconciliação com seus adversários. Destacando que não foi consultado antes do anúncio do ultimato militar, o porta-foz do presidente afirmou, em nota: “Algumas de suas frases têm conotações que podem causar confusão nesse complicado cenário nacional”, sugerindo que a medida pode “aprofundar a divisão entre as pessoas” e “ameaçar a paz social”.

 

 

Fontes:
The New York Times - Pressure Builds on Morsi as His Allies Quit and Protests Mount

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